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14 h 13

Terça-feira, 16 Julho 2019

GUIA DE ENTREVISTAS

ENTREVISTA


Interação médica ajuda a tratar Doença de Graves

Quais os principais sinais clínicos oftalmológicos que podem ser relacionados à doença de Graves?

Retração palpebral - presente em 90% dos casos, proptose - em 60% dos casos e alteração dos músculos extra-oculares – em 40% dos casos e com visão dupla. Mais raramente pode ocorrer perda da visão por comprometimento do nervo óptico e ulceração de córnea em decorrência da protusão ocular. São também freqüentes sinais inflamatórios da doença, como inchaço, vermelhidão e dor ocular, quando está na fase ativa da doença.

Como pode ocorrer a evolução dessa doença?

No estágio congestivo da doença de Graves há uma fase de progressão da atividade inflamatória da doença, depois estabilização e diminuição da inflamação. É um ciclo natural da doença e pode ser discreta em muitos pacientes. Numa outro perfil de paciente, existem alterações seqüelares mais graves importantes depois da fase congestiva e devem ser tratados.

Qual a melhor forma para se precisar um diagnóstico dessas oftalmopatias de Graves?

Muitas vezes os dados clínicos são muito sutis e nem sempre temos quadros tão óbvios. Recorremos para exames laboratoriais, os quais auxiliam bastante para caracterizar que, de fato, o indivíduo tem uma doença auto-imune da tireóide. Outros exames de imagem, especialmente tomografia computadorizada e ressonância nuclear magnética, podem caracterizar que o indivíduo tem espessamento dos músculos extra-oculares e aumento do tecido adiposo da órbita ocular. Isso tudo servem para confirmar o diagnóstico e afastar outras condições que poderiam simular uma doença tireoidiana. Somando dados clínicos, exames laboratoriais e de imagens, na grande maioria das vezes, chegamos a um diagnóstico preciso.

Quais as condutas e procedimentos mais adequados após a confirmação dos exames específicos?

Existe um grupo grande de pacientes que não precisa de tratamentos mais agressivos. Simplesmente precisam tratar a doença tireoidiana, usar colírios lubrificantes e ter um acompanhamento oftalmológico para certificar de que não vão ter uma manifestação grave. No entanto, um outro grupo de pacientes apresenta sinais que mostram uma fase inflamatória importante. Nesses casos, a doença apresenta-se mais grave na fase congestiva e com deformidades. Utilizamos corticoesteróides - por via oral ou endovenosa, em doses altas - e podemos optar por radioterapia - em doses antiinflamatórias - e cirurgias de descompressão da órbita ocular, em casos que têm risco de perda visual. Mesmo executando esses tratamentos, ainda podem ficar deformidades estéticas, como retração palpebral, estrabismo, excesso de gorduras e pode ser feita uma blefaroplastia, por exemplo, entre outros procedimentos.

Qual a importância de caracterizar a doença de Graves como miogênica ou lipogênica?

Nem sempre são formas tão estanques, mas existem manifestações clínicas distintas. É importante determinar se a forma apresentada é miogênica (que tem predomínio do acometimento do músculo) ou lipogênica (que tem predomínio o acometimento das gorduras). Na miogênica há mais estrabismo, pode ter neuropatia óptica e é preciso saber a conduta e analisar muito bem cada caso. Já a forma lipogênica, muito raramente tem comprometimento da musculatura ocular ou neuropatia óptica. No entanto, pode ter luxação do globo ocular e maior freqüência de remoção de tecido adiposo da órbita ocular.

Para evitar maiores problemas para a saúde ocular, qual a abordagem oftalmológica mais apropriada para um quadro de doença de Graves?

A recomendação ao oftalmologista é que diante de uma suspeita do diagnóstico haja uma interação a respeito das manifestações da doença de Graves e participe ativamente do tratamento. É muito comum que o oftalmologista faça o diagnóstico, encaminha o paciente ao endocrinologista e perca o contato. O endocrinologista é fundamental para o tratamento, mas o oftalmologista precisa monitorar as manifestações oculares de tal forma a dar subsídios para o endocrinologista. Dessa forma, mesmo na fase clínica, ambos podem tomar a mesma decisão e se fazer, sempre, um bom acompanhamento do paciente.

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