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16 h 28

Terça-feira, 21 Maio 2019

GUIA DE ENTREVISTAS

ENTREVISTA


Cirurgia refrativa: restrições e desafios

A médica goiana Belquiz Nassarala permaneceu por três anos estudando nos Estados Unidos, quando se aprofundou em problemas de córnea e cirurgia refrativa. Doutora pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Nassarala atualmente acompanha vários doutorandos da Universidade de Brasília em suas teses. A especialista falou sobre as novidades e intercorrências mais comuns da cirurgia refrativa numa entrevista especial ao portal www.drvisao.com.br. A seguir:

Quais as principais avanços atuais em cirurgia refrativa?

Temos uma técnica nova, denominada ablasão personalizada. Antes se fazia a cirurgia sem medir as aberrações do sistema óptico do indivíduo (na tabela para o exame de vista, indivíduos que não conseguem enxergar as carreiras finais com os optotipos). Sabemos que alguns olhos têm mais aberrações do que outros. Mas esse exame não se faz em todo mundo. Apenas em alguns pacientes. Os benefícios se voltam para o tratamento personalizado. Contamos hoje – e o Brasil não fica em nada atrás de outros países como EUA - com vários equipamentos e laser de ultima geração. Temos total acesso a essa tecnologia avançada.

Existem alternativas para o tratamento do ceratocone?

Até há um tempo, a única opção para o problema de ceratocone era o transplante de córnea. Há vários estágios do ceratocone. No primeiro, os óculos ajudam em sua correção, no segundo, os óculos já não oferecem uma boa visão e parte-se para o uso de lentes de contato rígidas, no estágio seguinte. Por fim, no quarto estágio, apela-se para o transplante de córnea. Nesse estágio intermediário, pode-se hoje colocar um anel intra-estronal no estrone da córnea, o que ajuda a aplanar seu cone e permite uma melhora considerável na qualidade da visão do paciente, o que permite à pessoa voltar a usar óculos e adiar o transplante ou, mesmo, evitá-lo. Vale lembrar que o adiamento do transplante de córnea é interessante, uma vez que 80% dos casos de ceratocone que se iniciam precocemente estabilizam por volta dos 35 anos de idade.

Há restrições para fazer a cirurgia refrativa em pacientes com córnea fina?

Primeiro de tudo, não se deve operar olhos sadios. Cem por cento de visão e olhos saudáveis para correr riscos de perder essa visão não é interessante. O próprio paciente vai querer ter esses 100% de visão e nada menos do que isso. A responsabilidade do profissional é enorme e a chave está em uma seleção criteriosa dos pacientes para a cirurgia refrativa. Sempre esclarecemos que uma pessoa com 100% de visão, córnea sadia e que deseja se tornar independente de óculos não vai significar que ela poderá zerar o seu grau. Talvez sobre um restinho que necessite do uso de óculos para dirigir, para trabalhar no computador, para ler a legenda de um filme, fazer compras no shopping etc.

Qual o mínimo e o máximo de graduação tem sucesso na cirurgia refrativa?

Até 12 graus, para miopia, 4 graus para hipermetropia e 5 astigmatismo. Até esses patamares o laser consegue tratar. Após isso, o laser não dá conta. O nosso grande desafio ainda é a presbiopia. Vale lembrar que o laser afina a córnea, portanto, se for fina demais, a cirurgia torna-se contra-indicada. Para saber, precisamos fazer a taquimetria, um exame que vai dizer quanto que o indivíduo tem de córnea. Se forem 450 micras, terá de buscar outras alternativas. Mesmo as cirurgias refrativas, há outras modalidades. A córnea tem uma espessura que deve ser respeitada e há aspectos importantes como o segmento da curvatura da córnea, por exemplo. Na curvatura acima de 47 dioptrias não se deve fazer. No plano, abaixo de 34 dioptrias, também não pode, sob o grande risco de se perder qualidade de visão (uma visão normal encontra-se no patamar 37).

É possível fazer a cirurgia refrativa e se ficar insatisfeito com o resultado?

Uma pessoa com seis graus de miopia, com uma visão péssima, se conseguir baixar isso para 3 é bem melhor. O cirurgião deve ser sempre muito honesto com seu paciente. Antes de mais nada, deve dominar a técnica e saber os limites da córnea. Depois, saber se o material que está utilizando é de boa qualidade. Porque não pode afinar demais a córnea. Por isso, não basta o médico possuir um bom equipamento, é importante ter qualidade desse laser.

Quais são as técnicas mais utilizadas entre os brasileiros?

São três – a PRK (ceratectomia fotorrefrativa), o Lasik (laser assisted in sito keratomileusis) e a Lasek (ablasão de superfície subepitelial). Qualquer uma dessas técnicas, podemos empregar o sistema personalizado, mas antes necessitamos saber das aberrações. Outras variáveis devem ser levadas em conta, como o tamanho da pupila à noite (por meio da pupilometria), já que o laser é aplicado na região central da córnea e se a pupila for grande, o paciente perderá muito a qualidade da visão noturna. Portanto, os exames que deverão ser realizados para a avaliação médica são o de acuidade visual (com ou sem correção), ceratometria, taquimetria, topografia, medir a refração cicloplegiada, exame de fundo do olho (fundoscopia) e a aberrometria. Todos fundamentais para verificar os candidatos à cirurgia refrativa.

Por que gestantes são contra-indicadas para a cirurgia?

Exatamente. Isso é por conta das alterações hormonais desse período, o que dificulta a cicatrização, correndo o risco de ter resultados piores. O diabético também está contra-indicado, a não ser com a glicose supercontrolada. Com os novos equipamentos a laser, a cirurgia é muito rápida, variando entre dois a dez minutos, cada olho. O pós-operatório é que não deve ser subestimado em riscos, necessitando de alguns dias de repouso após cada vista ser operada.

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