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09 h 28

Terça-feira, 25 Abril 2017

GUIA DE ENTREVISTAS

ENTREVISTA


Parceria entre Brasil e países africanos de língua portuguesa na formação de médicos oftalmologistas

Como surgiu essa idéia?
Houve algumas reuniões aqui no Congresso (XXX Congresso Internacional de Oftalmologia) onde se tratou bastante sobre o tema cegueira nos países de língua portuguesa da África. Essas reuniões, evoluíram e o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (COB) montou um comitê para estudar e propor ações para diminuir a cegueira nesses lugares. Então vai haver uma parceria muito grande entre Moçambique, Angola, Guiné Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, o COB e as Ongs que trabalham com a prevenção da cegueira na África além da Agência Internacional para Prevenção da Cegueira (IAPB). Juntos, vamos propor que  alguns Centros de Treinamento de Oftalmologia no Brasil como serviços de residência médica credenciada do CBO recebam médicos da África para oferecer treinamento de dois anos em oftalmologia.

Então não foi a primeira vez que se discutiu sobre o assunto?
Na verdade, já algum tempo houve uma solicitação do IAPB de que nós poderíamos ajudar. E aí eu fui visitar Moçambique em 2005 . Agora vou para Cabo Verde conhecer a situação deles e em seguida para Guiné Bissau. O IAPB que já trabalha na África há muitos anos, tem muita dificuldade nos países de língua portuguesa, por isso, nós devemos ser o canal que vai possibilitar esse aprimoramento a esses profissionais.

Como é a situação da oftalmologia na África?
Para se ter uma idéia, na África existe um oftalmologista para cada 1 milhão de habitantes. Aqui na América Latina, dependendo do local, temos cerca de um para cada 15, 20 mil pessoas. Só aí já dá para você ter uma noção da dificuldade que eles enfrentam. Outra coisa, os médicos que falam português sofrem muito quando precisam fazer os treinamentos para a área de oftalmologia. Quem não fala inglês ou francês não tem para onde ir. Por isso, a IAPB viu que nós podemos ajudar muito esses profissionais.

Qual o maior problema de visão na África?
Conforme a região do país, o problema predominante é diferente. Mas, nesses com os quais vamos trabalhar o mais importante é a catarata. E a catarata é uma doença passível de tratamento que permite a pessoa voltar a ter uma visão muito boa. Então, inicialmente e primeiramente o enfoque é a catarata, mas também vamos tratar de qualquer outro problema, além de treinar essas pessoas para que sejam capacitadas no tratamento da maior parte das doenças de oftalmologia.

Vocês já têm definido as instituições brasileiras que vão apoiar o projeto?
Antes de tudo, nós ainda temos que passar por um processo dentro do Conselho Federal de Medicina para que a gente possa receber esses estrangeiros. Uma vez reconhecida essa possibilidade, nós vamos atrás das parcerias, mas nós já temos certeza da existência de pelo menos 20 residências que podem receber esses estrangeiros.

Como vai funcionar?
Os profissionais selecionados virão para o Brasil fazer um treinamento de dois anos. Em troca eles terão que trabalhar pelos menos dois anos nos seu país de origem. Nessa etapa, a participação das Ongs torna-se importante porque cabe a elas a busca de recursos para manter esses profissionais em seus países permitindo que um bom trabalho seja realizado. Nós queremos que eles treinem outros médicos lá, queremos formar professores. É um projeto de longo prazo. Queremos que ele tenha uma continuidade de 10 a 20 anos para que assim possamos formar um número bastante significativo de profissionais.

E quanto à capacitação de recursos?
As Ongs de lá, da Europa e dos EUA é que vão buscar recursos financeiros para apoiar e patrocinar a vinda desses estrangeiros para o Brasil. Aqui, a CBO e as residências vão contribuir oferecendo todo o treinamento e aperfeiçoamento sem custo algum.

Por que o Brasil foi o país escolhido para essa parceria?
O Brasil foi chamado para esse projeto porque o IAPB reconhece o avanço que o país teve nos últimos 20 anos no combate a cegueira, ao contrário do restante da América Latina. Nós estamos caminhando para uma situação no Brasil próxima do ideal nos próximos cinco, dez anos e a América Latina inteira precisa ainda de mais uns 20 para chegar ao ideal. Além da qualidade dos nossos profissionais, o que ajudou muito foi à realização dos mutirões. 

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