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03 h 44

Quinta-feira, 25 Maio 2017

GUIA DE ENTREVISTAS

ENTREVISTA


Trazer a Oftalmologia para mais perto das pessoas

Mesmo na correria do Congresso, o portal Dr.Visão conseguiu um tempinho do Dr. Rubens Belfort Junior – presidente do Congresso Mundial de Oftalmologia – realizado na capital paulista para falar sobre a importância do evento para área e a preocupação dos médicos em aproximar cada vez mais os tratamentos da população. Veja a íntegra da entrevista abaixo:

Dr. Visão - Qual a importância da realização desse Congresso no Brasil?

Dr. Rubens - É a primeira vez que é realizado Congresso Mundial de Oftalmologia no Mundo. Até então os Congressos eram chamados internacionais e o Conselho Internacional de Oftalmologia resolveu mudar o nome para que ele ficasse de fato mundial. Na realidade, nunca havia sido feito um congresso internacional na América do Sul – apenas um realizado há cerca de 50 anos no México -. A importância desse Congresso não é apenas ensinar os oftalmologistas brasileiros, mas ensinar todos os oftalmologistas do mundo. É discutir como os tratamentos mais modernos podem chegar a todos os cidadãos, porque não adianta nada você ter tratamentos maravilhosos que não podem ser utilizados pela população porque o convênio e o SUS não têm como cobrir os gastos. Eu penso que esses congressos têm que servir como locais onde o oftalmologista, as indústrias, as Ongs e os governos estejam juntos para decidir juntos as prioridades e a maneira mais eficiente de como repassar os recursos aos pacientes.

Dr. Visão – Como o senhor vê a oftalmologia brasileira?

Dr. Rubens – O país sempre se destacou, sempre teve liderança através do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e dos grupos de pesquisa da Unicamp, USP e Unifesp. Existe, por exemplo, um programa fantástico sob a coordenação da Comissão de Prevenção da Cegueira da CBO relacionado ao exame de crianças da primeira série do Ensino Fundamental e a distribuição de óculos para elas. No Brasil não falta médico, aliás, nós temos um número bastante adequado de profissionais de ótima qualidade. O que atrapalha é a falta de recurso e o preço absurdo dos óculos. É muito frustrante para o profissional atender um paciente, diagnosticar o seu problema e meses depois atendê-lo novamente, ás vezes com o problema aumentado, pelo motivo de não ter tido dinheiro para comprar os óculos.

Dr. Visão – O que pode ser feito a respeito?

Dr. Rubens – Acredito que o oftalmologista deveria coordenar e supervisionar ele mesmo a questão da distribuição dos óculos para os pacientes. Infelizmente, o lucro dos óculos no Brasil é muito grande. O que está acontecendo com o óculos hoje é o que acontecia com a indústria farmacêutica até pouco tempo atrás quando não existiam os genéricos. A idéia é que se chegue a uma espécie de óculos genérico, ou seja, uma forma mais barata de desenvolvê-lo, permitindo que o próprio Sistema Único de Saúde possa distribuí-lo a população. De qualquer modo, a questão do óculos está sendo atacada de diversas maneiras. Há seis anos atrás, a Unifesp fez um convênio com o Ministério da Saúde, inicialmente um projeto piloto de distribuição de 1200 pares de óculos bifocais. O projeto deu tão certo que o número saltou para 12 mil pares, distribuídos em São Paulo, Amazonas e Pernambuco, entre outros. Esses óculos bifocais foram um grande avanço porque permitiram que pacientes com mais de 40 anos voltassem a enxergar para longe e para perto. O importante é os oftalmologistas brasileiros continuarem sensibilizando o governo para tentar resolver o gargalo da alta do preço do óculos.

Dr. Visão – Além dessa preocupação social, qual é a temática do Congresso?

Dr. Rubens – É enorme, muito variada. Envolve novas maneiras de operar catarata, técnicas de exame da córnea, maneiras de tentar diminuir a miopia, o astigmatismo, o uso de injeções intra-oculares (dentro do olho) até tratamentos cirúrgicos para glaucoma.

Dr. Visão – Quais são os problemas mais comuns na oftalmologia brasileira?

Dr. Rubens – Sem dúvida nenhuma é a falta de óculos, devido à dificuldade sócio-econômica das pessoas. A consulta existe, o médico olha, dá a receita, mas o cidadão não tem dinheiro para comprar. Outra questão é o problema da catarata. O mutirão para a cirurgia da catarata precisa ser continuado pelo governo federal. A impressão que tenho é que o governo está tentando esconder o problema que é muito grave. Caso contrário, você não veria filas imensas de pessoas tomando chuva para poder ser operado nos mutirões.

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