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08/12/2006

Transplante de córnea 100% a laser chega ao Brasil


O Brasil é o primeiro País da América Latina a realizar transplantes de córnea totalmente a laser. O novo procedimento causa menos impacto no olho do paciente e reduz de até um ano para três ou quatro meses o período de recuperação, em relação à cirurgia convencional.

A tecnologia, até então disponível em nove hospitais no mundo, foi adquirida pelo Hospital Oftalmológico de Sorocaba e também atende, numa cota limitadíssima, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

O hospital é centro de referência em cirurgias do olho e faz 200 transplantes de córnea por mês. Com a tecnologia do Intralase - o conjunto de equipamentos adquirido pelo hospital - será possível dobrar esse número, segundo o administrador Edil Vidal de Souza. "Com o laser, podemos otimizar o aproveitamento da córnea, usando um único órgão para atender dois ou mais pacientes", diz.

O corte das córneas doadora e receptora é feito com o laser e não mais manualmente, o que aumenta a precisão. A técnica reduz de 24 para 8 o número de pontos cirúrgicos no olho do paciente, facilitando a recuperação.

No Brasil, cerca de 20 mil pessoas estão na fila do transplante de córnea para voltar a enxergar. Souza prevê uma redução na espera que, em alguma regiões, chega a dois anos. "Em nossa região (Sorocaba), porque temos um trabalho forte de doações, a espera é de apenas três meses."

O conjunto de equipamentos, adquirido a um custo de US$ 500 mil, pode ser usado também para a colocação de anéis intracorneanos, que dispensam o transplante em casos de ceratocone - uma deformação da córnea que ocorre em 80% dos casos indicados para cirurgia.

Uma das vantagens é a rápida recuperação: no dia seguinte o paciente estará enxergando bem. O Intralase elimina o uso de lâminas metálicas nas cirurgias de correção de visão. "Na cirurgia a laser convencional para correção de miopia, hipermetropia e astigmatismo, o cirurgião primeiro corta um flap (fatia) da córnea com uma lâmina metálica e então aplica o laser", explica Souza. "Com a nova tecnologia, o flap corneano é criado pelo laser, com maior precisão e segurança."

Por causa do alto custo, o atendimento a pacientes do SUS está limitado a cinco cirurgias por mês. A empresa americana que forneceu o equipamento subsidia o tratamento, já que o repasse público cobre apenas o tratamento convencional. O hospital está à procura de recursos para ampliar esse número.

Menos Pontos

A redução do número de pontos utilizados para a sutura é um dos principais ganhos apontados pelos especialistas.

O oftalmologista e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Carlos Eduardo Leite Arieta, afirma que isso pode reduzir o tempo de recuperação dos pacientes transplantados. "Cada ponto utilizado cria uma curvatura diferente na córnea. Essas curvaturas são as responsáveis pela formação de um astigmatismo que se estabiliza depois de até um ano", afirma.

No entanto, ele alerta para a necessidade de melhores comprovações científicas de que a técnica é verdadeiramente mais eficaz. "É preciso pelo menos um ano para ter informações consistentes."

O oftalmologista e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) Renato Ambrósio também chama a atenção para esse fato. "Sorocaba é o primeiro local no Brasil a trabalhar com esse tipo de laser e o único por enquanto", afirma. "Ainda não temos estudos científicos que comprovem esse benefício para os pacientes. Entretanto, certamente teremos." Colaborou Emilio Sant''anna

Agência Estado

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