x Logo Dr. Visao

Dr. Visão

Guia To Go

05 h 22

Domingo, 25 Junho 2017

GUIA DE NOTÍCIAS

NOTÍCIA


05/01/2007

Oftalmologia zen


A acupuntura aplicada à oftalmologia ainda engatinha, mas algumas pesquisas mostram que ela pode ser eficaz em determinados casos.

Atire a primeira pedra quem nunca ficou desconfiado diante da palavra “acupuntura” há alguns anos. Esse quadro vem mudando aos poucos, com o reconhecimento da acupuntura como uma modalidade médica. Cada vez mais pacientes e médicos se interessam pelo mundo das agulhas, seja por frustração com a medicina que se pratica hoje no Ocidente, seja pela tendência mundial de se interpretar o corpo como um todo. Na acupuntura, o corpo humano é feito de ligações aparentemente ilógicas entre órgãos e fluxos de energia – uma abordagem quase zen do que se aprende nos bancos das faculdades de medicina do país.

Na oftalmologia, a acupuntura ainda dá seus primeiros passos. Embora já haja algumas pesquisas em nível mais avançado no exterior, no Brasil alguns poucos centros se dedicam a estudar a modalidade aplicada à oftalmologia. Ruth Vita, doutora em oftalmologia e atual aluna do Curso de Formação em Acupuntura da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é uma das especialistas dedicadas ao entendimento da modalidade chinesa aplicada à oftalmologia. Seu interesse pelas agulhas, depois de anos praticando a medicina convencional, veio por uma série de experiências positivas com a yoga e a meditação. Notou que pode haver outros caminhos para acabar com a dor, diminuir o stress e curar diversas doenças.

Embora seja uma estudiosa e adepta da acupuntura, nem por isso Ruth defende a modalidade chinesa como uma substituição à medicina que se pratica atualmente nos consultórios e hospitais brasileiros. “Não estamos propondo que um paciente com glaucoma, por exemplo, largue a medicação para ser tratado apenas com acupuntura”, esclarece. “A acupuntura é mais um caminho, mais um recurso no nosso arsenal terapêutico. Estamos tentando entender como colocá-lo em prática da melhor forma.” Na medicina tradicional chinesa, que se baseia na observação da natureza e na compreensão dos princípios que regem a harmonia da natureza. O universo é um macrocosmo, então as leis para esse universo são as mesmas que regem o homem, que é o microcosmo. Existem dois conceitos básicos. O primeiro é o conceito de yin e yang, que é um conceito de dualidade, em que os aspectos opostos se complementam e equilibram. O yin representa a matéria e o yang representa a energia. Assim como na fórmula de Einstein, o que é a energia? Nada mais é que a matéria elevada à velocidade da luz. Matéria e energia são um contínuo processo de transformação de um no outro. O aspecto yang quer dizer atividade, portanto mais calor, mais mobilidade, mais expansão, e o yin quer dizer frio, baixo, retração, a polaridade negativa. Segundo os chineses, o yang seria o homem e o yin seria a mulher. Existem também alguns princípios, como a transformação contínua do yin em yang, a transmutação: nem tudo é yin e nem tudo é yang. É a relatividade do yin e do yang.

O outro conceito básico que existe são os cincos movimentos, que se baseia na evolução natural que existe, que um gera e domina o outro. Não existiria vida no nosso planeta se não houvesse a água, que é o início e o fim de tudo. A água geraria a madeira, depois disso, o fogo, depois a terra e depois o metal. Existiriam esses cinco compostos na natureza. Nesses cinco movimentos é normal um gerar o outro e cada movimento gerar o movimento seguinte. A água geraria a madeira, que geraria o fogo e assim por diante. O que seria a dominância? Cada movimento apresenta uma dominância sobre o movimento que sucede. É um controle que existe na natureza na normalidade. Na anormalidade existe a contradominância. Esses princípios são aplicados ao corpo.

Em que se baseia a acupuntura?

Na medicina tradicional chinesa, que se baseia na observação da natureza e na compreensão dos princípios que regem a harmonia da natureza. O universo é um macrocosmo, então as leis para esse universo são as mesmas que regem o homem, que é o microcosmo. Existem dois conceitos básicos. O primeiro é o conceito de yin e yang, que é um conceito de dualidade, em que os aspectos opostos se complementam e equilibram. O yin representa a matéria e o yang representa a energia. Assim como na fórmula de Einstein, o que é a energia? Nada mais é que a matéria elevada à velocidade da luz. Matéria e energia são um contínuo processo de transformação de um no outro. O aspecto yang quer dizer atividade, portanto mais calor, mais mobilidade, mais expansão, e o yin quer dizer frio, baixo, retração, a polaridade negativa. Segundo os chineses, o yang seria o homem e o yin seria a mulher. Existem também alguns princípios, como a transformação contínua do yin em yang, a transmutação: nem tudo é yin e nem tudo é yang. É a relatividade do yin e do yang.

O outro conceito básico que existe são os cincos movimentos, que se baseia na evolução natural que existe, que um gera e domina o outro. Não existiria vida no nosso planeta se não houvesse a água, que é o início e o fim de tudo. A água geraria a madeira, depois disso, o fogo, depois a terra e depois o metal. Existiriam esses cinco compostos na natureza. Nesses cinco movimentos é normal um gerar o outro e cada movimento gerar o movimento seguinte. A água geraria a madeira, que geraria o fogo e assim por diante. O que seria a dominância? Cada movimento apresenta uma dominância sobre o movimento que sucede. É um controle que existe na natureza na normalidade. Na anormalidade existe a contradominância. Esses princípios são aplicados ao corpo.

Como?

No homem existem os Zangs, os órgãos, as estruturas básicas essenciais ao organismo para ter a vida. Eles têm os Fus, as vísceras, estruturas tubulares acopladas para assimilar, alimentar e eliminar os dejetos. Existem também as vísceras curiosas, como a vesícula biliar, os vasos sanguíneos, a medula óssea, o encéfalo e a medula espinhal.

No homem, esses cinco movimentos estão representados por cinco órgãos básicos. A água é representada pelo Shen, os rins. A madeira é representada pelo Gan, o fígado. O fogo pelo Xin, coração. A terra pelo Pi, baço e pâncreas. E o metal, que faz justamente a purificação, seria pelo Fei, pulmão. Cada órgão tem uma estrutura: o que o ajudaria, por exemplo, o metal, representado pelo pulmão, a purificar o corpo? O intestino grosso, que elimina todos os dejetos. Esse órgão está associado com uma cor, com um sabor que pode tonificá-lo na normalidade. O pulmão também está ligado à nossa área sensitiva, então a tristeza máxima a gente sente no pulmão. Você vê que quando uma pessoa asmática entra em crise é porque tem muitos conflitos. O pulmão rege basicamente o nariz, a pele, os pêlos e a conjuntiva do olho. Todos esses cincos órgãos têm as vísceras, as estruturas orgânicas acopladas e as estruturas que eles dominam e que vão promover o dinamismo das atividades físicas e psíquicas dentro do nosso organismo.

E onde o olho se encaixa nesse contexto?

O olho é regido por uma energia que se ancora no Gan (fígado), do movimento madeira. Ele é responsável por produção hormonal, nervos, músculos e cápsulas dos ligamentos. O olho está mais relacionado à energia do Gan, mas você vai ver que todas as energias estão lá. O olho é o espelho da alma, é uma série de coisas na medicina chinesa. É tão complexo que é a última coisa que estudamos no curso.

E como esses conceitos se aplicam à saúde?

A saúde nada mais é do que uma harmonia energética. Quando existe harmonia, vai haver saúde, normalidade, bom desempenho das funções, das estruturas e do psiquismo da pessoa. Se existe um desequilíbrio energético, começa o adoecimento, que tem várias causas: fatores inatos, stress, questões psicológicas e físicas. Os traumas, também químicos, físicos, que também podem comprometer a função, o que eles chamam de energia perversa. A medicina chinesa tem 6 mil anos e naquela época não se sabia o que era um vírus ou bactéria. Sabia-se que o frio era uma energia perversa e que trazia doenças. O calor também. A umidade, a secura, tudo isso pode trazer as energias perversas. O que é fundamental na medicina chinesa é que o corpo está ligado à mente. O fator emocional sempre pode comprometer muito e causar uma doença.

Quando a gente identifica uma doença hoje, o que isso quer dizer? Que essa doença já vem de há muitos anos. Existe um processo de adoecimento. Primeiro existe um distúrbio energético, sem alteração funcional ou orgânica. O que acontece? A pessoa pode ter uma dor, um mal-estar, um cansaço, que identifica algo errado. Essa doença começou lá trás, muitas vezes ainda no útero. Tudo isso vai ter de ser integrado à medicina de hoje.

Como funciona a acupuntura?

O mecanismo de ação da acupuntura é estimular diversos pontos em nosso organismo. Um ponto é onde existem terminações nervosas livres do tipo A, Delta e C, capilares que vão constituir um nervo aferente que conduzirão estímulos para o SNC. A agulha é aplicada no ponto. Como ela é feita de dois metais diferentes, existe a geração de campo magnético criando um potencial elétrico. A agulha vai estimular esse determinado ponto, despolarizar o nervo, que vai levar o estímulo até o SNC, agindo principalmente no hipotálamo. O hipotálamo interage com o sistema límbico, o sistema das emoções. O hipotálamo atua no sistema nervoso simpático e parassimpático, no sistema endócrino e neuroquímico. Então vai produzir mais ou menos hormônios e os neurotransmissores, como dopamina e serotonina. Outra maneira de ação é no arco reflexo da medula. Essa ação vai restaurar e manter a saúde e fazer com que exista uma circulação da energia, que é restabelecida e leva à harmonia energética.

Como aplicar esses princípios na oftalmologia?

O Gan tem uma condição intrínseca de gerar o fogo. Ele tem a parte yin e yang. O yin do Gan pode ser muito consumido por distúrbios emocionais por exemplo, desequilibrando-o e aumentando o fogo, responsável pela maioria das afecções oculares. O sistema Shen-Gan precisa ser harmonizado para se ter uma boa visão. O olho é extremamente vulnerável ao fogo do Gan. Para se evitar isso, ele precisa dos canais yang, que veiculam a água orgânica dentro do nosso corpo. O olho recebe dois tipos de água, a água interna e a externa. A interna participa da formação dos humores, do humor aquoso, dos tecidos; e a externa vai formar as lágrimas. Por isso temos que trabalhar não só com os meridianos do Shen e do Gan, mas também com os da pangguang (bexiga).

As energias de todos os órgãos vão caminhar para os olhos. O olho, assim como o sistema nervoso, vai receber o que eles chamam de os cinco zhangs fus – então na pálpebra chega uma energia, na pupila outra. Tudo tem de estar em harmonia, por isso, o tratamento das afecções oculares é basicamente mandar uma “água energética” para os olhos e tonificar a energia do fígado, tonificar o rim e estimular o triplo aquecedor, os aquecedores dentro do corpo.

Como estão as pesquisas em oftalmologia?

Muitos estudos foram feitos no exterior. Nosso departamento aqui na Escola ainda está engatinhando, mas temos feito alguns estudos. O Angelino Carrielo, preceptor atual dos residentes, fez um trabalho com ratos que mostrou que a acupuntura nos pontos certos poderia prevenir a catarata. Esse trabalho foi premiado.

A área de olho seco parece ter muitos trabalhos mostrando a melhora. Também há trabalhos que mostram a neuroproteção em ratos com acupuntura, outros que mostram o aumento do fluxo sanguíneo para o cérebro e para o olho.

Hoje estamos iniciando um estudo com pacientes portadores de serosa central, muitos com desequilíbrios psíquicos. Na medicina ocidental observar se vai haver remissão ou não. Essa remissão é de cerca de seis meses na literatura. Com a acupuntura vamos observar se o período de remissão diminui e fazer uma série de exames. Talvez a acupuntura também tenha lugar em outras maculopatias, uveítes, olho seco, conjuntivites alérgicas e doenças em que existe muita dor, como o glaucoma absoluto.

Já existem vários pesquisadores tratando blefarospasmos, olhos secos e glaucoma com acupuntura. Vemos também o papel da acupuntura em analgesias em cirurgias oftalmológicas. Alguns trabalhos mostram que a dor foi controlada de forma significativa. Outros estudos para retina pigmentosa mostraram a melhora das bordas do campo visual, mas ainda existe muita controvérsia na literatura. Ainda precisamos de mais estudos.

Só a acupuntura basta?

Não, acho que é preciso ter outros apoios. O paciente não pode só vir aqui fazer acupuntura, ele tem de entender o que está se passando com ele. Muitas vezes é preciso o acompanhamento de um psiquiatra e outras medidas para melhorar uma doença. Em oftalmologia não existem tantas doenças que se acredite ser de fundo emocional, como outras especialidades. Mas se observarmos de forma geral, por exemplo, quantas pessoas não têm dor nas costas e, ao se colocar um ponto, a pessoa já se sente melhor? Até que ponto tem o fator psíquico associado? Já está provado que existe alteração dos neurotransmissores, que ali, naquela agulha, o que estamos fazendo é causar uma liberação de uma endorfina, que pode ser suficiente para algumas pessoas e para outras não. Mas ninguém tem a intenção de chegar e falar “vamos tratar isso com a acupuntura”. O que queremos é usufruir de mais um recurso do arsenal terapêutico.

Você encontra muita resistência quando fala de acupuntura?

Não, pelo contrário, estou tendo muito apoio. Apresentamos um curso no Congresso Mundial e muita gente da Escola já se propôs a ajudar nas pesquisas. Além disso, muitos oftalmologistas estão se interessando pelo tema.

Existem pessoas mais conservadoras que só vão acreditar mais futuramente. O que estamos propondo não é que um paciente de glaucoma largue a medicação ou deixe de fazer uma cirurgia. Tudo tem seu momento certo de ser aplicado.Vamos estudar, junto com outros colegas, a hora de começar a usar essa terapêutica milenar e que é tão barata e eficaz. Acho que isso é essencial num país como o nosso. No próximo SOU-Simasp apresentaremos um curso sobre acupuntura e outras terapêuticas alternativas, com muitas novidades.

Ruth Vita é Mestre e doutora em oftalmologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e aluna do curso de formação em acupuntura na mesma instituição.

Revista Universo Visual por Lilian Liang

  • Seu nome

    Seu Comentário

    Seja o primeiro a comentar esta notícia, CLIQUE EM COMENTAR

Este Portal é um veículo de conteúdo, informação e divulgação sobre assuntos relacionados a oftalmologia (IMPRENSA), todo conteúdo veiculado é de responsabilidade de seus autores. NUNCA deixe de consultar o seu médico oftalmologista.
TEMAS
Portal DR. VISÃO - Todos os direitos reservados - ® 2000 - 2011