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15/05/2005

Catarata: prepare-se para enfrentá-la

“Ou você tem ou você terá!”. Poucos problemas se encaixam tão perfeitamente nessa afirmativa como os que afetam a qualidade da visão. Segundo os especialistas, quase todas as pessoas com mais de 40 anos precisam de lentes para enxergar melhor de perto. Mas não é só. A catarata, por exemplo, atinge cerca de 65% das pessoas com idade entre 55 e 74 anos, e 73.3% das pessoas acima de 75 anos. É a maior causa de cegueira reversível no Brasil. <br><br> “A doença acomete quase um terço dos 15 milhões de idosos existentes”, destaca o especialista em oftalmologista Paulo César Fontes, membro fundador e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Catara e Implantes Intra-oculares e responsável técnico do Hospital Oftalmológico da Barra, centro de referência localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Além da idade, a radiação ultravioleta é outra aliada da catarata, que se caracteriza pelo opacificação gradual do cristalino. <br><br> A incidência da catarata tende a aumentar consideravelmente nos próximos anos, como conseqüência do aumento da expectativa média de vida que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), será de 76 anos em 2024; 78 em 2034 e 81 anos em 2050. Estima-se que existam, hoje, cerca de 17 milhões de cegos por catarata no mundo. <br><br> Se por um lado viveremos mais, por outro o país terá que enfrentar um batalhão de pessoas produtivas incapacitadas por conta da cegueira, o que gera grande ônus social. A informação de que as pessoas com mais de 60 anos são responsáveis por 8.964.850 domicílios no Brasil, atualmente, ajuda a ter noção do impacto. Essa realidade torna a catarata um dos focos principais de pesquisadores em todo o mundo. <br><br> Avanços <br><br> Alguns levantamentos apontam que, a cada ano, surgem pelo menos 120 mil novos casos da doença no Brasil. O tratamento é cirúrgico e implica na substituição do cristalino opaco por uma lente. A cirurgia permite que a pessoa volte a enxergar, porém, muitos pacientes sofrem com os fenômenos fóticos, caracterizados pela formação de reflexos e halos ao redor de luzes, sobretudo à noite, quando a pupila está mais dilatada. Outros tantos passam a necessitar de óculos para perto ou para longe. <br><br> “Tudo isso tem estimulado a pesquisa de tecnologias que garantam mais conforto e qualidade de vida. Uma boa novidade é que as pessoas agora contam com as novas lentes Lio Multifocais, que podem minimizar os fenômenos fóticos e possibilitar boa visão sem óculos, tanto de perto como de longe. É um avanço significativo, já que a nossa integração com o meio ambiente depende em 85% da visão”, diz Paulo César Fontes, que também dirige o Hospital de Olhos do Méier, na Zona Norte do Rio, e é ex-presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia. <br><br> O segredo desse tipo de lente está no design e na tecnologia que otimizam os recursos óticos para a formação da imagem. Ela também possui um recurso chamado apodização, que possibilita uma transição suave entre os degraus difrativos. Tudo com o objetivo de evitar o surgimento de halos e reflexos. “Essa tecnologia associada ao aperfeiçoamento de detalhes da técnica operatória, tem permitido avanços significativos”, avalia o oftalmologista. <br><br> A nova lente é contra-indicada, entretanto, para pessoas com astigmatismo corneano maior que 1 grau, que sofreram cirurgia refrativa, que sejam portadoras de alguma doença de fundo de olho, ou que já tenham implantado lente monofocal em um dos olhos. Já nos míopes, que possuem retina mais sensível devido à condição anatômica do olho, a cirurgia só se justifica na presença de catarata avançada. <br><br> Novas indicações <br><br> O implante da lente intra-ocular também tem se mostrado uma alternativa para pessoas que sofrem de presbiopia, conhecida como vista cansada. Nos Estados Unidos e na Europa a cirurgia já é realizada com freqüência. Paulo César Fontes destaca que como o procedimento, neste caso, requer a extração do cristalino transparente, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) ainda não indica o método como rotina no caso da presbiopia. <br><br> No caso de pessoas que sofrem de hipermetropia (quando a imagem é focada depois da retina, causando dificuldade para ver de perto, antes dos 40 anos, e de longe e de perto após essa idade), com grau superior a 3 (o que requer lentes mais grossas) e que atuam em setores como o da moda e do esporte; executivos e pessoas que lidam com o público, ou que trabalham em ambientes poluídos, como obras, plataformas de petróleo etc, o implante intra-ocular da lente também representa um avanço e mais conforto.
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