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27/03/2007

Volta às aulas:Hora de fazer um check-up oftalmológico nas crianças


Três em cada vinte crianças do ensino fundamental, em média, apresentam alguma deficiência na visão, de acordo com levantamentos do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Esses problemas abrangem desde os chamados erros de refração, como a hipermetropia, a miopia e o astigmatismo, que provêm de alterações na estrutura do olho, até casos mais delicados, resultantes de acidentes ou de malformação genética. “O fato da criança não saber informar aos pais e professores que apresenta um problema de visão, não invibializa o tratamento. Hoje, existem exames que avaliam a integridade anatômica e funcional das diversas partes do olho. Desta forma, quando diagnosticamos problemas no sistema visual, podemos intervir mais cedo nos problemas que causam deficiências na acuidade visual, e posteriormente, baixas no aproveitamento escolar”, afirma Virgilio Centurion, diretor do Instituto de Moléstias Oculares, IMO.

Ao iniciar a vida escolar é preciso que pais e professores fiquem atentos aos problemas de visão na criança, pois o processo de ensino-aprendizagem depende primordialmente da visão. “Na verdade, o ideal é fazer um exame oftalmológico completo, dando ênfase ao diagnóstico de vícios de refração - miopia, hipermetropia e astigmatismo - todo início de ano letivo”, defende a oftalmologista Laura Duprat, que integra o corpo clínico do IMO.

O exame de motilidade ocular também é muito importante, pois detecta o potencial de mobilidade da musculatura do olho: se existe limitação à movimentação, incoordenação; visão dupla, dores de cabeça ou ainda a presença de doenças oculares, endócrinas ou cerebrais. “A avaliação da motilidade ocular é realizada através do teste cover simples e alternado, solicitando que o paciente fixe o olhar num ponto. Assim, pode ser verificado o desvio dos olhos para perto ou para longe. Por meio deste exame, o oftalmologista pode diagnosticar o estrabismo”, explica a médica.

É também na fase escolar que deve ser iniciada a realização do exame de fundo de olho. “O procedimento pode identificar doenças sérias como tumores e problemas vasculares. Para observar esta região é usada uma lente especial, que aumenta a imagem diversas vezes. O exame completo só pode ser feito com a pupila dilatada”, informa Laura Duprat.

Principais problemas de visão infantis

A oftalmologista Maria José Carrari, que também integra o corpo clínico do IMO, ressalta que os problemas mais comuns de visão na infância são o aparecimento de vícios de refração, como miopia, hipermetropia e astigmatismo, além da ambliopia e do estrabismo.

Entre os vícios de refração, ou seja, deficiências que precisam de correção óptica, a hipermetropia é um dos problemas oculares mais encontrados em crianças e adultos, levando a criança a se queixar de dor de cabeça ou desconforto para ler de perto, assistir à TV ou jogar vídeo-game.

O astigmatismo é uma deformação da curvatura da córnea do olho humano, que faz com que a pessoa não veja de forma nítida. “Crianças que apresentam astigmatismo podem sentir dores de cabeça e fadiga ocular, pois ‘forçam’ os olhos para melhor enxergar”, afirma Maria Carrari.

A miopia, caracterizada pela dificuldade de enxergar longe, acomete três, em cada dez brasileiros. Como a criança não enxerga bem de longe, passa a preferir atividades como a leitura e evita a prática de esportes ou atividades que solicitem visão à distância.

Os olhos da criança devem focalizar uma imagem nítida sobre a retina e transmiti-la ao cérebro. Se ambos estão fixando o mesmo ponto, a área visual do cérebro funde as duas imagens em uma única, tridimensional. Esta ação desenvolve a visão em profundidade e a visão tridimensional nos indivíduos. “Quando um dos olhos fica estrábico, duas imagens diferentes são enviadas para o cérebro. Nas crianças com pouca idade, o cérebro aprende a ignorar a imagem do olho desviado, passando a receber somente a imagem do olho não desviado ou de melhor visão. Ou seja, o estrabismo provoca a perda da visão tridimensional na criança”, explica a médica, especializada em oftalmopediatria.

O paralelismo dos olhos durante a infância permite o desenvolvimento de uma boa visão em cada olho. O estrabismo na infância, se não for tratado precocemente, pode provocar uma baixa visual ou o aparecimento da ambliopia. “A ambliopia acomete aproximadamente 50% das crianças estrábicas. Inicia-se quando o cérebro reconhece apenas a imagem do olho de melhor visão e ignora a imagem formada pelo olho amblíope, que apresenta o estrabismo”, explica a médica. A ambliopia é tratada com a oclusão do olho de melhor visão com a finalidade de melhorar a visão do olho desviado. Se a ambliopia for detectada nos primeiros anos de vida, o tratamento tem um bom índice de sucesso. “Entretanto, se o tratamento é iniciado mais tarde, a ambliopia e a baixa visual poderão ser definitivas”, esclarece Maria Carrari.

Sinais de problemas

Na sala de aula ou durante o horário do recreio, os professores podem observar sinais de que os alunos apresentam algum problema de visão e devem passar por uma consulta oftalmológica.

Veja, a seguir, a lista de sinais mais comuns de que a criança pode apresentar algum problema de visão:

1) Estudantes com alguma deficiência visual costumam apertar ou esfregar os olhos com freqüência, vivem com os olhos irritados, avermelhados ou lacrimejantes, piscam muito ou franzem a testa para olhar à distância;

2) Estas crianças podem também se queixar de tonturas, náuseas, dor de cabeça ou sensibilidade excessiva à luz;

3) Crianças míopes não enxergam bem de longe e, por isso, podem evitar atividades esportivas que exijam esta habilidade;

4) Os astigmáticos, por enxergar os objetos embaçados, podem ficar dispersivos, indisciplinados ou com aversão à leitura. Para escrever ou ler, às vezes, aproximam-se demais do caderno ou do livro;

5) Crianças que andam com cuidado excessivo, esbarraram ou tropeçam com facilidade também podem apresentar algum tipo de deficiência visual.

Márcia Wirth

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