Quinta-feira, 23 Maio 2013
Cuidados com a visão começam na gestação. O primeiro check-up visual deve ser feito logo após o nascimento e entre 2 e 3 anos de idade a primeira consulta oftalmológica.
Poucas mães sabem, mas a visão dos filhos depende dos cuidados que têm com a própria saúde. Pode parecer exagero, mas para garantir a saúde visual das crianças os cuidados devem começar antes de o bebê nascer. Isso porque, de acordo com o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, doenças infecciosas como a rubéola, sífilis e toxoplasmose contraídas pela mãe durante a gravidez respondem por 38% da catarata congênita, maior causa de cegueira infantil que acomete 0,4% dos recém-nascidos no Brasil.
Logo que o bebê nasce, a mãe deve se certificar de que passou pelo "Teste do Olhinho" ou exame do reflexo vermelho. O médico explica que este exame é feito com um oftalmoscópio que emite luz sobre a pupila do recém-nascido. Quando esta luz é contínua significa que os olhos são saudáveis. Se for descontínua indica presença de uma ou mais das doenças que levam à deficiência visual grave ou cegueira infantil:
Catarata congênita: quando o cristalino é opaco, dificultando a visão. O tratamento é cirúrgico, consiste no implante de uma lente intra-ocular e deve ser feito após doze meses de vida por causa do rápido desenvolvimento do globo ocular neste período.
· Glaucoma: É o aumento da pressão intra-ocular, mais comum em filhos de pais consangüíneos. Pode ocorrer também, por trauma pós-cirúrgico de catarata congênita. Olhos excessivamente grandes podem ser sinal de glaucoma infantil. O tratamento é cirúrgico.
· Retinoblastoma - Tumor ocular que faz com que a criança tenha um reflexo esbranquiçado na região da pupila. É extraído com cirurgia.
· Estrabismo - Desvio dos olhos. Quando é vertical pode fazer a criança inclinar o pescoço para alinhar a visão e por isso nem sempre é percebido pelos pais. O tratamento é feito com óculos e pode requerer cirurgia.
· Retinopatia da prematuridade - Bebês prematuros não têm a estrutura ocular totalmente formada e podem ter problema na retina. No Brasil, 5% dos prematuros ficam cegos e o tratamento precoce reduz este índice para 0,5%.
· Obstrução congênita do canal lacrimal - Quando o duto do canal lacrimal é bloqueado por uma membrana. Resulta em lacrimejamento excessivo e freqüentes conjuntivites. O tratamento é feito com massagens ou cirurgia. O especialista diz que o excesso de lacrimejamento também pode indicar glaucoma, cílios voltados para dentro ou pálpebra entreaberta.
· Ptose - Ocorre quando uma ou as duas pálpebras são caídas a ponto de tapar a pupila e atrapalhar o desenvolvimento da visão. Requer cirurgia.
Quanto mais cedo estes problemas visuais forem detectados, mais fácil é a correção, ressalta o médico. Por outro lado, podem levar à cegueira irreversível, caso não sejam tratados até a idade de um ano.
PRIMEIRA CONSULTA DEVE SER ANTECIPADA SE OS PAIS USAM ÓCULOS
Queiroz Neto diz que a visão se desenvolve até a idade seis anos e dependendo do obstáculo neste período pode causar danos irreparáveis. Por isso, a primeira consulta oftalmológica deve ser feita aos 3 anos de idade. Quando os pais usam óculos ou a criança apresenta algum sinal de que não enxerga bem a consulta deve ser antecipada para a idade de dois anos.
COMO SABER SE A CRIANÇA TEM DIFICULDADE DE ENXERGAR
O médico ressalta que os principais sinais de que uma criança tem dificuldade de enxergar são:
Nos dois primeiros anos de vida:
Não reage a estímulos luminosos como, por exemplo, a luz do quarto que se acende.
Tem excessiva aversão à luz.
Lacrimeja excessivamente de um ou ambos os olhos.
Fica muito tempo com os olhos fechados.
Não demonstra interesse pelo ambiente à sua volta.
Não ergue a cabeça para tentar ver objetos (brinquedos, por exemplo).
Apresenta um ou ambos os olhos desviados para o nariz ou para fora.
Reflexo luminoso na "menina dos olhos" como se fossem "olhos de gato".
"Menina dos olhos" muito grande ou de cor acinzentada ou opaca.
Olhos constantemente vermelhos e com secreção.
Tremor constante dos olhos.
Não demonstra interesse em ver a mãe nem estranha pessoas não familiares.
Tem dificuldade no início do engatinhar e andar.
Os olhos não acompanham objetos coloridos movidos à sua frente.
Esbarra com freqüência nos objetos e móveis.
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