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13/06/2007

Glaucoma - esperança brasileira

O Dr. Francisco Eduardo Lima, médico oftalmologista goiano especialista em glaucoma, do Centro Brasileiro de Cirurgia de Olhos – o CBCO, em Goiânia, e do Centro Brasileiro da Visão – o CBV, em Brasília, participou como palestrante do Sexto Congresso Internacional de Glaucoma, realizado em Antenas, Grécia no último dia 31 de março.
No país das ilhas paradisíacas e dos deuses pagãos, Francisco Eduardo Lima teve a oportunidade de apresentar para uma numerosa platéia de cientistas de seu naipe de várias partes do mundo, resultados muito importantes ao avanço da medicina ocular, compilados em 13 anos de árduo trabalho: trata-se de uma técnica cirúrgica para tratamento do glaucoma, introduzida por ele na América do Sul.
O trabalho do médico goiano foi, na ocasião, bastante elogiado pelos médicos e pesquisadores presentes ao evento e, ainda, considerado o trabalho com maior número de pacientes tratados e com o maior tempo de seguimento pós-operatório do mundo.
O mesmo trabalho em pauta foi apresentado em San Diego, nos estados Unidos, no dia primeiro de maio. Já no dia sete do mesmo mês, Francisco Eduardo Lima foi diretamente para Paris, na França, onde apresentou também o mesmo trabalho e os respectivos resultados à equipe científica e a corpos de médicos da área em específico.
Francisco Eduardo Lima diz que estes fatos, aliados ao estudo sério e comprometido com a ciência e a profissão que desempenhou ao longo desses 13 anos significa um passo de dimensões mundiais para o Brasil e, conseqüentemente, para o Estado de Goiás.

O glaucoma é uma doença ocular que representa uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. Aproximadamente, uma em cada duzentas pessoas acima de trinta e cinco anos tem sua visão ameaçada por esta doença. Se detectada precocemente, a cegueira secundária ao glaucoma pode ser evitada.
A doença pode destruir gradativamente os "fios elétricos" (nervo óptico) que ligam o olho ao cérebro, causando pontos cegos na área de visão ou campo visual. As pessoas geralmente não sentem dor e raramente notam os referidos pontos cegos, até que considerável e irreversível dano ao nervo óptico tenha ocorrido. Se todo o nervo for destruído, isto resultará em cegueira definitiva.
Não existe uma causa única responsável pelo glaucoma, e sim, vários fatores de risco para a doença. O principal deles é o aumento da pressão intra-ocular. Um líquido claro e transparente, chamado humor aquoso, circula dentro do olho continuamente nutrindo as estruturas internas do órgão. Se o sistema de drenagem do olho entope, a pressão intra-ocular aumenta e, com o tempo, pode causar dano irreversível ao nervo óptico. Existem tipos diferentes de glaucoma, entre eles, o glaucoma de ângulo aberto, o de ângulo fechado, o congênito e o secundário.

O diagnóstico do glaucoma é baseado no aspecto do disco óptico - a parte do nervo óptico visível ao exame de fundo de olho, na medida da pressão intra-ocular e no resultado da perimetria computadorizada - o conhecido exame do campo visual.
A pressão intra-ocular varia no decorrer do dia, e um paciente com disco óptico que apresente alterações suspeitas para glaucoma pode não apresentar a pressão intra-ocular elevada no momento do exame.
Outro aspecto a ser avaliado para o correto diagnóstico é a análise do campo visual, exame que detecta áreas cegas, resultantes da lesão de fibras do nervo óptico. Alguns tipos de glaucoma necessitam de outros equipamentos para diagnóstico e acompanhamento da doença, dentre eles o Analisador da Camada de Fibras Nervosas - OCT e a Biomicroscopia ultra-sônica.
Doutor Francisco fala que as cirurgias tradicionais de glaucoma têm as desvantagens relacionadas à imprevisibilidade dos resultados e às complicações ao longo prazo, como a infecção, pois o olho é submetido a uma fístula que estabelece a comunicação da parte interna com a parte externa do olho. Com as cirurgias tradicionais, o paciente fica mais propenso a desenvolver infecções quando, por exemplo, toma um banho de piscina ou quando contrai uma conjuntivite normal. A vantagem da técnica de Ciclofotocoagulação Endoscópica é exatamente a de não estabelecer a comunicação interna e externa com o olho e conseguir um equilíbrio interno dos fluidos do órgão. O resultado é a segurança adquirida pelo paciente, que dura por toda a sua vida.

Doutor Francisco, fale um pouco de sua experiência pessoal em aprimorar uma técnica tão importante para a área de oftalmologia.

Esta experiência é única. A sensação de contribuir para o bem da humanidade é confortante. Principalmente tratando-se de glaucoma. Esta doença desafia o médico desde o seu diagnóstico e durante toda a vida do paciente, pois é uma doença incurável. E a técnica de Ciclofotocoagulação Endoscópica representa geralmente a última esperança para olhos em que todas as alternativas cirúrgicas se esgotaram. O aprimoramento da técnica permitiu a aplicação da mesma em olhos virgens de cirurgias e isto nos rendeu reconhecimento mundial como o prêmio de 1999, em San Diego. Espero presenciar a propagação desta técnica pelo Brasil e pelo mundo e com muitos pacientes beneficiados.

Quais os avanços da oftalmologia no tratamento do glaucoma atualmente?

Os principais avanços são os novos colírios hipotensores e os estudos genéticos com o objetivo de identificar precocemente os pacientes que irão desenvolver a doença no futuro.

Como o senhor vê o papel que o Brasil desempenha na oftalmologia?

O Brasil é reconhecido no mundo pelo exercício da Oftalmologia de excelência e tem contribuído para evolução de novas técnicas, como esta, por exemplo, da Ciclofotocoagulação Endoscópica.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, em torno de 80 por cento da cegueira encontrada nos países em desenvolvimento podem ser prevenidos ou curados. Só o glaucoma responde por cerca de 13% da cegueira global. O que se pode fazer para reverter esse problema?

Atualmente, está muito em moda discutir esse problema. As duas bases para se reverter o avanço do problema é treinar melhor os profissionais para avaliarem o disco óptico e todos os outros fatores que levam ao desenvolvimento do glaucoma, podendo, assim, solicitar principalmente exame de campo visuale fazer com que os possíveis pacientes procurem os oftalmologistas, porque muitos pacientes com mais de 40 anos vão diretamente às óticas ou bancas de camelô e escolhem os óculos, somente para resolverem o problema de leitura. Essa prática é um desrespeito à saúde pública, porque os exames oftalmológicos são fundamentais para o diagnóstico precoce de doenças, principalmente do glaucoma.




reportagem de Edson Nuno

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