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26/02/2008

Instituto da visão divulga avanços no tratamento do ceratocone

Resultados de pesquisa básica demonstram que, no futuro, a nova terapia pode ser a opção para diminuir os transplantes de córnea

Um dos pontos altos do XXXI Congresso de Oftalmologia da UNIFESP será a divulgação dos resultados  obtidos durante três anos de pesquisa experimental de um novo tratamento para ceratocone, principal causa de transplantes de córnea no Brasil e no mundo. O método, denominado Corneal Cross Link (CXL), ainda em fase experimental, usa uma substancia natural chamada riboflavina (vitamina B2) que, associada à luz ultravioleta, cria novas ligações entre as moléculas de colágeno da córnea, aumentando sua resistência.

O que é ceratocone

Ceratocone é uma ectasia corneana não-inflamatória e indolor, caracterizada pelo afinamento e perda de rigidez da parte central da córnea, que fica mais abaulada (formato de cone), provocando distorção e embaçamento das imagens, similar à provocada por altos astigmatismos. Em 90% dos casos é bilateral. Sua origem é genética, com forte caráter hereditário. Inicia-se geralmente na adolescência, por volta dos 16 anos de idade, evoluindo até aproximadamente 35 a 40 anos quando, na maioria dos casos, ocorre uma estabilização espontânea do processo.

 Evolução e tratamento

Durante o estágio ativo da doença as mudanças podem ser rápidas. Freqüentemente os pacientes reclamam das constantes mudanças de grau dos seus óculos. Na maioria dos casos-- 80%, o uso de óculos ou lentes de contato rígidas é suficiente para garantir uma visão satisfatória para o paciente. Entretanto, o progresso da doença é muito variável. Enquanto alguns casos evoluem lentamente, uma minoria tem evolução rápida, necessitando de lentes de contato rígidas ou até transplante de córnea.Mesmo com o desenvolvimento de novos procedimentos cirúrgicos para simplificar ou fornecer mais segurança no tratamento do ceratocone, como os implantes de anéis intra-corneanos, o transplante de córnea ainda é o único procedimento curativo para a doença, apesar do risco de complicações, como alto astigmatismo, anisometropia, rejeição, infecção, glaucoma, catarata e doenças relacionadas a superfície ocular.

O CXL vem se tornando uma opção terapêutica menos agressiva e, o que é fundamental, potencialmente capaz de controlar a progressão do ceratocone e de ectasias corneanas pós- cirúrgicas, justamente por agir no mecanismo fisiopatológico da doença, endurecendo a córnea. No Brasil, especialmente no Instituto da Visão da UNIFESP, estão em andamento diversas pesquisas básicas com excelentes resultados, recentemente apresentados durante o (3º International Corneal Crosslink Congress), juntamente com um novo equipamento desenvolvido no Brasil.Aplicado em fase experimental no mundo inteiro, com excelentes resultados – a maioria dos pacientes teve sua doença estabilizada –  o “Cross-Link” do colágeno corneano deve tornar-se uma opção menos invasiva em casos de ceratocone progressivo, diminuindo eventualmente as necessidades futuras de transplantes de córnea. O início da realização de protocolos clínicos no Instituto da Visão está previsto para o primeiro semestre deste ano.

 

 


Elenice Cruz

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