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Quarta-feira, 26 Abril 2017

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30/07/2010

Óculos de baixo custo: por que o Brasil ainda não desenvolveu seu próprio modelo?

O fornecimento gratuito de óculos para os mais pobres pode ser um dos investimentos mais importantes para assegurar o desenvolvimento dos países mais pobres e da capacidade laboral de seus trabalhadores. Nos cantos mais remotos e pobres do planeta, milhões de pessoas não têm acesso a lentes corretivas, o que lhes permitiria conduzir melhor suas vidas, de maneira mais produtiva.

Um estudo publicado, recentemente, pela Organização Mundial da Saúde, OMS, estimou o custo da produção laboral perdida devido a problemas de visão: 269 bilhões de dólares por ano. Além da perda da capacidade de trabalho, os problemas de visão contribuem para o aumento expressivo da cegueira evitável nos trabalhadores.

Hoje, os esforços da OMS e de diversos pesquisadores estão voltados para a busca de encontrar meios de distribuição de óculos de baixo custo, em grande escala. Uma tecnologia promissora é a dos óculos auto-ajustáveis, que permitem que os próprios usuários consigam definir o seu foco, em menos de um minuto, reduzindo, assim, a necessidade de oftalmologistas capacitados, que raramente são encontrados na África e em muitas partes da Ásia. Embora os óculos ajustáveis não possam ser úteis em casos de astigmatismo, pelo menos 80 % dos demais erros refrativos podem ser corrigidos com o emprego desta tecnologia.

Modelos disponíveis no mercado

Hoje, três opções de óculos ajustáveis de baixo custo estão disponíveis no mercado. A mais antiga delas, uma invenção britânica chamada AdSpecs, vem atraindo a atenção da mídia há mais de uma década. Os óculos permitem que o foco seja ajustado por meio de um líquido claro injetado nas lentes. Seu inventor, Joshua Silver, professor de Física da Universidade de Oxford, dirige um instituto de pesquisa: o Center for Vision in the Developing World. Desde o lançamento dos óculos, em 1996, Silver fixou a meta de distribuir um bilhão de pares de óculos de baixo custo, até 2020. Até agora, a entidade já distribuiu cerca de 30 mil AdSpecs, que têm o custo 19 dólares cada par.

Um grupo de holandeses, criadores da The Focus on Vision Foundation também produz óculos de baixo custo, batizados de Focusspec, por cerca de 4 dólares o par. Os fundadores do grupo afirmam que o preço irá cair substancialmente quando as lentes começarem a ser produzidas em grande quantidade. A Fundação planeja distribuir cerca de 30.000 pares de seus óculos de baixo custo, neste ano, no Afeganistão, em Gana e na Tanzânia.

O terceiro modelo de óculos de baixo custo, também holandês, é chamado de U-Specs . Está sendo desenvolvido pela VU University Medical Center em parceria com uma organização do terceiro setor, a D.O.B. Foundation.
Diferenças à parte, ingleses, holandeses e a comunidade científica concordam num ponto: o mundo precisa de um projeto viável de óculos de baixo custo, que possa ser reproduzido em larga escala. Por enquanto, nenhuma das empresas envolvidas no projeto é capaz de atender esta demanda, mas todas se consideram capazes de fornecer milhões ou mesmo bilhões de óculos de baixo custo aos países em desenvolvimento. Vamos ver...

A falta crônica de óculos no Brasil

Que cegueira e pobreza andam junto, o Brasil já sabe. E um estudo feito pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) reflete bem esta triste realidade: 90% das pessoas atingidas pela cegueira no país são de baixa renda. Do total de 1,1 milhão de cegos existentes, hoje, no Brasil, a grande maioria, está na população mais pobre. Ainda segundo o CBO, as duas principais causas de cegueira evitável ou curável na América Latina, em geral, e no Brasil, em particular, são: a catarata e a falta de óculos.
Segundo a pesquisa do CBO, no Brasil não há falta de oftalmologistas, contamos com um número adequado de profissionais. “O que motiva a cegueira evitável é a falta de recursos da população mais pobre e o alto preço dos óculos. É muito frustrante para o oftalmologista que trabalha em locais mais remotos e carentes atender um paciente, diagnosticar o seu problema e, meses depois, atendê-lo novamente, com o problema agravado porque o paciente não teve condições de comprar os óculos prescristos”, diz o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.

“O ideal seria que o Brasil desenvolvesse o seu próprio modelo de óculos de baixo custo, permitindo que o próprio Sistema Único de Saúde, SUS, pudesse distribuí-lo à população. O importante é que os oftalmologistas brasileiros continuem falando sobre o tema e sensibilizando o governo, visando, assim, possibilitar a aquisição de óculos por todos os que precisam”, defende Centurion.

A cegueira provocada pela catarata

Ainda segundo a pesquisa do CBO, por falta de informação e de acesso à medicina e à tecnologia, a região brasileira que apresenta o maior número de pessoas com catarata é a Nordeste. Já o glaucoma é encontrado nos estados que têm maior população negra, como a Bahia. “O maior problema da associação de falta de recursos e pobreza é a desinformação. As pessoas não sabem que existem doenças que causam a cegueira irreversível, que podem ser tratadas, antes que a cegueira definitiva esteja instalada”, afirma o oftalmologista Eduardo de Lucca, que também integra o corpo clínico do IMO.

“Além da abordagem usual sobre as causas de cegueira com maior prevalência: catarata, glaucoma, degeneração macular relacionada à idade, retinopatia diabética, precisamos levar em consideração o custo social da cegueira, ou seja, a expectativa de vida e o tempo de vida que os pacientes viverão cegos”, defende Eduardo de Lucca.

O levantamento dos agravos oculares na população é o primeiro passo para se identificar prioridades e estratégias dos gestores de saúde, políticos, pesquisadores e médicos interessados no combate à cegueira. “Evoluímos ao ponto de a cirurgia de catarata, que antes se restringia a devolver a 'visão possível' aos pacientes se tornar um procedimento que tenta libertá-los também do uso de óculos após a cirurgia. Já podemos restaurar a visão, sem a necessidade de lentes oftálmicas após a cirurgia. Diante de tamanhos avanços e facilidades terapêuticas, é muito difícil aceitar passivamente que um idoso ainda fique cego por falta de acesso ao tratamento apropriado da catarata”, diz o oftalmologista.
JorNow

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