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10/05/2011

Pacientes do SUS sofrem com falta de oftalmologistas na rede pública em Pernambuco

Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) do Interior do estado estão sofrendo com a falta de médicos oftalmologistas na rede pública. Em busca de assistência, eles vêm para o Recife. Só que aí surge outro problema: a superlotação nas unidades de atendimento da capital.

O prédio da Fundação Altino Ventura, no bairro da Boa Vista, é pequeno para a quantidade de pessoas. O setor de urgência tem seis plantonistas e o movimento nunca diminui. É a única emergência oftalmológica em Pernambuco que atende pelo SUS dia e noite.

“É para cá que eu venho, só saio daqui quando eu morrer. Porque glaucoma não tem cura... Recebo meus colírios de graça, faço meus exames todos de graça, não gasto um centavo. Eu vou dizer coisa ruim daqui? Não. O hospital é ótimo, mas acontece que tem muita gente”, conta a dona de casa Josefa Brito.

O problema se agrava no começo do mês, quando é aberta a marcação de consultas. Desta vez, o dia 1º caiu no domingo e houve atendimento a partir das 20h. Na segunda-feira, às 7h, 400 fichas já haviam sido distribuídas. E a recomendação era para voltar no dia seguinte. Problema para todo mundo - e pior para quem mora no interior e depende do transporte da prefeitura.

Um grupo formado por 14 pessoas saiu às 4h de Escada, na Mata Sul, para ser atendido do Recife. “O problema é que não tem carro na cidade. Tiraram. Dois dias, segunda e sexta, agora não tem mais. E aqui eles mandam a gente vir todo dia para conseguir uma ficha”, diz a cozinheira Eliane Maria Mendonça.

A procura é tão grande que o agendamento para as 10 mil consultas oferecidas por mês se esgota nos primeiros dias. E há ainda os procedimentos, como cirurgias: dois mil a cada mês. Só de catarata, são 400.

O Altino Ventura é o único da região que faz tratamentos muito complexos, como para o caso de descolamento de retina, por exemplo, e por isso atrai pacientes da Paraíba e de estados do Norte. Como o estudante Alisson Cristian, que mora no Maranhão e está com um problema no olho desde que se acidentou praticando esporte. “Houve um descolamento de retina na minha vista e lá não tinha especialista na área”, diz.

A FAV tem unidades em Paulista e Jaboatão, na Região Metropolitana, e em Arcoverde e Salgueiro, no Sertão. Um ônibus vai para o interior, onde são feitas cirurgias de catarata. Mas nem assim diminui o movimento. Até julho, deve ser inaugurada uma central telefônica que vai tornar mais fácil as marcações de consultas.

“Estamos implantando agora, em junho ou julho, o atendimento telefônico, que vai ser um dos grandes projetos da Fundação para poder fazer um atendimento mais humanizado”, afirma o diretor executivo da Fundação Altino Ventura, Araújo Júnior.

A FAV também procura médicos oftalmologistas para trabalhar no interior. De acordo, com o diretor, está oferecendo 18 mil reais para vagas em Arcoverde e em Salgueiro e não consegue encontrar candidatos.

Segundo a Sociedade Pernambucana de Oftalmologia, há 450 médicos nessa especialidade em Pernambuco. Essa quantidade seria suficiente para atender quem precisa, se eles estivessem bem distribuídos, e isso inclui, claro, o Interior.

Dos 185 municípios de Pernambuco, 51 têm serviço de oftalmologia. No Recife, são 10 clínicas. A prefeitura do município mantém 28 médicos no Centro Ermírio de Moraes, em Casa Forte. Os pacientes só têm acesso se antes procurarem as Unidades de Saúde da Família e, então, são encaminhados para o Centro.

 “A gente trabalha com uma média de dois meses entre marcação e o atendimento. Essa média varia muito dependendo do agravo, do problema que o paciente apresenta e da necessidade dele”, explica a diretora geral de Atenção à Saúde do Recife, Bernadete Perez.

Se não há dificuldades maiores no Recife, o caminho para solucionar o problema passaria pelo reforço no Interior e pela ampliação dos serviços já existentes, inclusive os privados, diz o presidente da Sociedade de Oftalmologia, João Pessoa.

“O que precisa é que secretaria de Saúde do Estado ela permita essa ampliação, ou seja, um aumento do teto financeiro, das cotas, que repassam para isso. Apesar de hoje o SUS pagar tão baixo, mas essas clínicas se propuseram justamente para ajudar, ou seja, uma contribuição desses hospitais privados, essas instituições filantrópicas, de ajudar oftalmologia”, diz o presidente.

A secretária de Atenção à Saúde, Tereza Campos, informou que, até o fim deste ano, deverá ser aberta uma emergência no Hospital das Clínicas. E que conta com o atendimento telefônico do Altino Ventura para facilitar a vida dos pacientes, e que vai investir, com a ajuda dos municípios, no reforço no Interior do Estado.

 “Nós temos, no Estado de Pernambuco, 32 serviços oftalmológicos contratados pela secretaria. Então nós vamos ampliar esses contratos, oferecendo uma assistência de qualidade e ampliando o acesso à população que usa o Sistema Único de Saúde, ainda este ano”, destaca a secretária.
Globo.com

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