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25/05/2011

Góias: Dificuldade para voltar a enxergar

A realidade é exemplificada no caso do garoto Del Brando Silva Reis, 14 anos, que esperou pelo transplante por três anos.

O baixo índice de doações, atrelado à dificuldade em encontrar os pacientes que aguardam pelo transplante de córneas em Goiás, é o principal fator que trava a fila de espera que hoje acumula 1,7 mil pacientes. No Centro de Referência em Oftalmologia (Ce­rof), o paciente espera, no mínimo, três anos para se submeter ao procedimento. Devido à dificuldade de lo­calização e até mesmo o registro de desistência da cirurgia, o sistema de cadastro agora irá retirar o nome da pessoa em prazo de 120 dias.

Até então, o procedimento era realizado de outra forma. O paciente não encontrado ficava paralisado na lista, enquanto o outro passava na sua frente. Ou seja, o nome era mantido até a localização e a realização da cirurgia daquele que não foi localizado a tempo. A dificuldade é recorrente, pois a maioria reside no interior e até em outros Estados. Alguns nomes estavam na lista desde 2002.

A realidade é exemplificada no caso do garoto Del Brando Silva Reis, 14 anos, que esperou pelo transplante por três anos. Sua hora chegou, mas os profissionais do Cerof não conseguiram encontrá-lo. Del Brando é uma das vítimas da cegueira misteriosa que acometeu pelo menos 200 crianças da cidade de Araguantins, no Tocantins. Ele foi localizado após o auxílio de um empresário aposentado que já ajudou outras crianças do mesmo episódio que aconteceu em 2006, quando mergulharam de olhos abertos no Rio Araguaia, que corta a cidade.

O garoto está em Goiânia desde terça-feira passada (17), onde passou por uma bateria de exames. Todos eles necessários para a realização segura do transplante. A possibilidade da ineficácia da nova córnea para o caso de Del Brando foi cogitada por alguns médicos. Porém, mesmo assim, ele será submetido à cirurgia. A esperança se reacendeu após o parecer favorável de um médico especialista em oftalmologia de Goiânia, que afirmou que a chance de Del Brando ter a visão do olho direito de volta é de 90%.

Ânimo
Diante de tamanho mistério – ainda não se sabe a causa da cegueira, por isso, a dúvida da cura –, o garoto está animado com a possibilidade de ter a visão de volta. Hospedado na casa de um casal de Goiânia – que prefere não ser identificado –, ele está acompanhado da tia com quem vive em Araguatins, Vânia Lúcia Rosa. Ela conta que o garoto deixou de estudar por dois anos por recomendação médica. “Agora, ele tem vida normal, já voltou a estudar e brinca como qualquer outra criança, só que a preocupação é maior com relação ao esforço físico.”

Del Brando é de família humilde de Araguatins. A cegueira começou aos poucos, quando o menino tinha 12 anos. Sem recursos para custear exames e procedimentos cirúrgicos, ele se agarrou à fé católica. Foi quando teve notícias da possibilidade de cura em Goiânia, mas era tarde demais: a cegueira já tinha tomada por completo sua visão do olho direito. Outro tipo de tratamento não resolveria, só o transplante de córnea. Tímido, disse que rezou muito para que esse dia chegasse. “O que mais quero a­gora é voltar a enxergar.” A cirurgia ainda não foi marcada, mas hoje os exames seriam analisados pela equipe do Cerof, que deve agendar o transplante para os próximos dias.

Banco de Olhos
Em Goiás, as córneas estão disponíveis em dois bancos de olhos, o Cerof – que é administrado pela Universidade Federal de Goiás – e a Fundação Banco de Olhos de Goiás – instituição filantrópica. Na Fundação Banco de Olhos, o número de córneas disponíveis para transplante é maior que no Cerof. A fundação faz captação do órgão no Instituto Médico-Legal (IML), onde possui quatro profissionais disponíveis em um período de 24 horas. A córnea é o único órgão que pode ser retirado até seis horas depois da parada cardíaca e mantido fora do corpo por até sete dias.

De acordo com a coordenadora técnica da fundação, Ana Sabina Silveira, dez córneas estão disponíveis na Fundação Banco de Olhos. Já no Cerof, o banco não possuía córneas disponíveis. Para a coordenadora, a principal dificuldade é conseguir que as pessoas doem as córneas. Além disso, ela destaca o difícil acesso aos hospitais. “Já fizemos a solicitação para muitas unidades de saúde, mas não obtivemos resposta.” A Fundação Banco de Olhos de Goiás consegue córneas também no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).
AparecidaNet

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