x Logo Dr. Visao

Dr. Visão

Guia To Go

00 h 37

Terça-feira, 24 Outubro 2017

GUIA DE NOTÍCIAS

NOTÍCIA


23/05/2004

Olho no futuro

A televisão celebrizou um divertido personagem de desenho animado, Mr. Magoo, um velhinho míope e resistente ao uso de uns bons óculos, que ainda faz adultos e crianças rirem muito das suas trapalhadas. Magoo conversa com postes, erra os lugares onde deve ir. No dia-a-dia, no entanto, a dificuldade de enxergar bem é um transtorno que não tem graça e afeta muita gente. No Brasil, 25% da população usa óculos para corrigir alterações como a miopia (dificuldade de ver objetos a distância), hipermetropia (visão sem foco para objetos próximos) e astigmatismo (falta de foco para longe e para perto). E os especialistas afirmam que depois dos 40 anos quase todas as pessoas precisam de lentes para enxergar melhor de perto. A tendência é que essa necessidade aumente com o tempo e surjam outros problemas, como a catarata, presente em 60% do grupo com mais de 60 anos. Atentos à combinação explosiva do aumento da expectativa de vida com o crescimento populacional, os médicos e a indústria pesquisam novas soluções. Os resultados começam a aparecer. Nos centros de pesquisa, clínicas e hospitais bem-equipados, a associação de novas técnicas cirúrgicas e terapias avançadas torna os procedimentos mais rápidos e melhora a qualidade da visão. Há modernas opções para a eliminação dos graus (miopia, hipermetropia e astigmatismo) e eficazes tratamentos para doenças cada vez mais comuns, como a catarata, o glaucoma e a degeneração macular.De cada 100 pessoas que precisam de correção dos graus de miopia, hipermetropia ou astigmatismo, 88 usam óculos, dez preferem lentes de contato e só duas fazem cirurgias refrativas a laser. A estimativa é do Instituto da Visão, um centro de excelência em oftalmologia ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A cirurgia é feita na córnea. A técnica mais usada, o Lasik, esculpe esse tecido para criar uma lente natural capaz de corrigir a entrada dos raios luminosos no olho. "Em geral, o resultado libera 90% das pessoas dos óculos e lentes", diz o oftalmologista Rubens Belfort, coordenador do instituto.Recentemente, essas cirurgias deram um salto de qualidade. No final do ano passado, o FDA (agência americana que regula procedimentos médicos) aprovou a cirurgia refrativa customizada, que pode melhorar em até 20% a acuidade visual. Trata-se de uma técnica anunciada com alguma precipitação há três anos prometendo uma espécie de supervisão. Agora, o método foi avalizado para corrigir graus até sete de miopia e cinco de hipermetropia e astigmatismo. No mês passado, o Instituto da Visão realizou 250 cirurgias desse tipo. Diferente da operação normal, que lapida a córnea, a customizada varre pequenas imperfeições de sua superfície, chamadas de aberrações. "Elas podem explicar por que algumas pessoas continuam sem distinguir bem objetos à noite, vêem manchas assimétricas mesmo depois da cirurgia refrativa e pedem óculos", explica Mauro Campos, da Unifesp e do Hospital Albert Einstein. Por isso, a nova cirurgia é indicada para quem ainda não se submeteu a nenhuma intervenção e para os que se operaram, mas não estão satisfeitos. Por enquanto, está disponível nas poucas clínicas e hospitais que têm um aberrômetro, equipamento que mede as imperfeições na córnea usando a mesma tecnologia do telescópio espacial Hubble. "O aberrômetro envia feixes de luz e, pela resposta do olho, calcula suas irregularidades", diz Campos. A partir daí cria o programa que vai orientar a cirurgia a laser. Além da operação, há outras saídas sendo pesquisadas. "Nos Estados Unidos e na Ásia, continente onde 70% das pessoas são míopes, está em teste uma pomada à base da substância pirenzepina para controlar o crescimento do globo ocular, problema responsável pela miopia", explica Belfort Jr.A catarata é a maior causa de cegueira reversível no Brasil. Ela surge por causa da opacificação gradual da lente do olho, o cristalino. Quando turva, ela atrapalha a passagem da luz e embaça a visão. O tratamento baseia-se no bombardeio do cristalino com ondas de ultra-som emitidas por uma sonda finíssima, introduzida no olho por cortes de 3,5 milímetros. Nesse campo, a novidade é o aparelho Acqualase, que remove as cataratas mais jovens com jatos de soro aquecido em vez de ultra-som. "Ele retira cataratas mais novinhas e, portanto, mais moles", explica o oftalmologista Alfredo Tranjan, do Hospital Nove de Julho, em São Paulo. A vantagem é que o aparelho reduz complicações durante a cirurgia.Os procedimentos são finalizados com a colocação de lentes no lugar do cristalino. A busca de lentes mais apropriadas mobiliza a indústria. Há dois anos, surgiram lentes intraoculares acomodativas. Elas têm hastes flexíveis e um design na parte rígida que facilita a visão para perto e para longe. Custam cerca de US$ 1 mil cada uma. Porém, não são as mais cômodas. As esperanças recaem na nova geração de lentes multifocais. "Elas já são usadas, mas alguns pacientes se queixam de ver halos luminosos", conta o oftalmologista Cláudio Lottenberg, que dirige o Hospital Albert Einstein. Por isso, o modelo está sendo aperfeiçoado. Na Unifesp e em outros centros mundiais, está em teste uma lente do gênero impressa com círculos irregulares para que os olhos possam escolher qual dessas "trilhas" fornece a melhor captação de imagem para ser enviada ao cérebro.A vista cansada ou presbiopia é outro filão para o qual a indústria busca soluções. O problema atinge pessoas com mais de 40 anos, com boa ou má visão. Caracteriza-se pela dificuldade progressiva do cristalino de focar de perto e de se ajustar na troca da visão de longe para perto. A proposta mais recente para amenizar seus efeitos é o implante das mesmas lentes intraoculares multifocais usadas nos casos de catarata. Especialistas estão sugerindo a troca antes de os sinais de cansaço visual aparecerem. "Mas ainda não há consenso sobre a técnica", diz Laurentino Biccas, da Faculdade de Medicina da Santa Casa do Espírito Santo.Contra a presbiopia, o menu de opções inclui até os óculos vendidos em farmácia. Mas é necessário informar-se bem para não comprar gato por lebre. Métodos anunciados como novos e eficientes muitas vezes são apenas técnicas já praticadas e requentadas pelo lançamento de equipamentos mais modernos. Exemplo disso é a cirurgia que muda o desenho da córnea de um dos olhos, a ceratoplastia condutiva. "Adaptamos o olho para ver melhor de perto. Faço há quatro anos", afirma o médico Etelvino Coelho, de Belo Horizonte. A restrição é o efeito temporário, pois a presbiopia continua a evoluir cerca de meio grau por ano. Coelho diz que é possível retocar a cirurgia sem problemas. Mas a maioria dos médicos não gosta do método. "Um estudo mostrou que depois de seis meses apenas 23% das pessoas operadas conseguiam ver bem", observa o oftalmologista Marcelo Cunha, de São Paulo. O especialista Lottenberg não faz. "Não é uma técnica sobre a qual se tenha controle das reações", diz.A medicina também avança na luta contra as doenças que levam à cegueira irreversível, como o glaucoma. O problema surge por um defeito no sistema de drenagem do olho. A falha faz com que um líquido que nutre estruturas internas, o humor aquoso, fique estagnado e em quantidade elevada. Isso aumenta a pressão intraocular. Quando está muito alta, há risco de comprimir o nervo óptico, que emite sinais ao cérebro. Esses danos podem formar pontos cegos na periferia do olho e causar a cegueira lateral. Esse é um dos principais sinais do glaucoma. O tratamento com novos colírios, conhecidos como análogos de prostaglandina, usados uma única vez por dia, reduz a necessidade de cirurgia. Também existem medicamentos à base de betabloqueadores, inclusive genéricos. São mais populares, mas apresentam efeitos colaterais associados a problemas cardíacos e pulmonares.A falta de diagnóstico é um dos entraves a serem superados para diminuir os casos de perda da visão por glaucoma. Estima-se que cerca de 900 mil pessoas sofram do problema no Brasil, mas metade não sabe. Para saber, basta medir a pressão intraocular uma vez por ano. E já existem equipamentos capazes de fazer o diagnóstico do problema antes que ele se desenvolva. Um deles é o OCT (siglas do inglês Optical Coherence Tomography). "Trata-se de um tomógrafo que faz uma análise detalhada da retina e mostra se há indícios de degeneração do nervo óptico, um dos sinais do glaucoma, antes que ele comece", diz o oftalmologista Renato Neves, de São Paulo, que já utiliza um modelo.
Isto É

  • Seu nome

    Seu Comentário

    Seja o primeiro a comentar esta notícia, CLIQUE EM COMENTAR

Este Portal é um veículo de conteúdo, informação e divulgação sobre assuntos relacionados a oftalmologia (IMPRENSA), todo conteúdo veiculado é de responsabilidade de seus autores. NUNCA deixe de consultar o seu médico oftalmologista.
TEMAS
Portal DR. VISÃO - Todos os direitos reservados - ® 2000 - 2011