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10/08/2011

Médicos tentam barrar optometria

Para os oftalmologistas, projeto que regulamenta tal profissão seria uma ameaça à saúde ocular.

O médico Daniel Nogueira, que representa a categoria de oftalmologistas de Dourados, vem encampando um movimento contra o Projeto de Lei 369/11 que regulamenta a profissão de optometrista.

Este define como atividades do optometrista: examinar e avaliar a função visual, prescrever soluções ópticas nos casos de ametropias; orientação técnica e estética o usuário de óculos e lentes de contato e adaptação de óculos e lentes de contato às necessidades do usuário.

"Os optometristas são os profissionais responsáveis pelo atendimento primário da função visual. Atuam diretamente na prevenção de problemas oculares e na correção de disfunções visuais. Representam a primeira linha de atendimento dos problemas mais comuns da população e fazem a triagem dos casos mais complexos ou graves, remetendo-os aos oftalmologistas",explica.

O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Uma consulta vem sendo feita junto a população brasileira que pode responder se é favor ou contra.

Para os oftalmologistas, o projeto em questão é uma ameaça à saúde ocular da população. O Conselho Brasileiro de Oftalmologia está acompanhando sua tramitação e trabalha de todas as formas legais para que seja rejeitado. Daniel Nogueira é médico oftalmologista com residência médica na Santa Casa de São Paulo. Especialista em Retina e Vítreo pela Santa Casa-SP e HC-USP. Preceptor de Catarata na Santa Casa - SP, e estágio na Universidade da Califórnia (EUA).

Membro da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo, da Sociedade Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa, da Sociedade Brasileira de Lente de Contato e da Academia Americana de Oftalmologia Tem título Internacional de Oftalmologia pelo Concil of Ophthalmology (Universidade de Cambridge – Inglaterra). Livro publicado: Principais Temas em Oftalmologia.

Confira a entrevista!


Por que a categoria considera preocupante a aprovação deste projeto de lei?

“Este projeto de lei vai comprometer o Brasil inteiro, principalmente a população das classes D e E que são as camadas que têm menos acesso a informação. Estas pessoas vão procurar um atendimento primário por pessoas que fizeram ou um curso técnico ou na melhor das hipóteses uma faculdade de quatro anos e ainda não reconhecida pelo MEC. O intuito será apenas o de vender óculos, porque estas pessoas são vinculadas a óticas. Existem óticas excelentes, de bom padrão, algumas poucas óticas mas existem, que tem um consultório no fundo e com a aprovação desta lei isso vai ficar mais forte e estas pessoas vão poder atender estes pacientes, receitar o óculos e vender o óculos, ou seja, uma venda casada, onde o paciente chega, é atendido, com a falsa impressão de que está pagando barato, mas estes óculos já estão com o preço embutido na consulta. O pior é que o paciente não vai ter o direito de fazer uma pesquisa de mercado porque não vai ter a receita na mão".


Qual o fator de risco, em termos de comprometimento da visão, caso este projeto seja aprovado?

“Doenças, principalmente o glaucoma, que é o mais preocupante porque as pessoas não percebem a piora da visão a não ser nos casos mais extremos. Elas vão perdendo a visão, usando o óculos achando que estão se tratando mas na verdade elas estão ocultando uma doença progressiva. Além do glaucoma há várias outras doenças progressivas. Isso vai representar um agravamento da saúde pública porque haverão mais pessoas com cegueira irreversível”.


Por que faltam médicos oftalmológicos na saúde pública?

“O maior problema na saúde pública está em contratar médicos oftalmologistas para atender a demanda. Em Dourados, por exemplo, temos 19 profissionais nesta área e haveria bem mais na rede pública se houvesse interesse em contratar estes oftalmologistas. Existem também clínicas populares que fazem preços mais acessíveis a estas pessoas mais carentes e elas podem ter acesso. Mas o essencial é o investimento na saúde pública, com médicos capacitados, não tentando tapar buraco com peneira porque isso vai ter uma repercussão a curto, médio e longo prazo, catastrófica".


A quem caberia atuar nestas fiscalizações?

“Caberia atualmente à Vigilância Sanitária atuar. Porque o Conselho Federal de Medicina, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia já agem mas sem o poder de exercer alguma censura as pessoas que não são médicas. O Conselho na verdade denuncia, mas a ação da execução, da retirada dos materiais, é da Vigilância Sanitária e da Secretaria Municipal de Saúde”.


O que cabe a população observar na hora de fazer uma consulta oftalmológica?

“A população tem que ficar atenta porque muitas destas pessoas se passam por médicos. Às vezes o paciente acha que está sendo atendido por um médico, só vê a parte do óculos e acha que este é o problema. Hoje existem inúmeras outras enfermidades além dos óculos. Não são somente os óculos o problema dos olhos. Muitas destas doenças leva à cegueira irreversível. Então, no caso das pessoas carentes não adianta fazer somente a consulta e conseguir o grau do óculos. A Saúde pública tem que oferecer os óculos porque este é bem mais caro do que a consulta com um médico oftalmologista. Não adianta ter consulta em grande número se a pessoa vai continuar sem os óculos, que são caros. Existem óculos hoje de R$ 10 mil, R$ 2 mil; se a pessoa ganha salário mínimo como faz para adquirir? Então é necessário que haja investimento no sentido de oferecer a consulta e ao mesmo tempo o óculos, que faz parte do tratamento”.
O Progresso

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