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17/08/2005

Associação de cegos se credencia para transplantes

A Associação dos Cegos de Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais, vai ampliar os serviços prestados aos deficientes visuais carentes. De imediato, a instituição tem dois projetos em andamento. Um deles é o novo credenciamento para transplantes de córnea. "Apenas dois hospitais são habilitados na cidade pelo Sistema Nacional de Transplantes", revelou a coordenadora da Central de Captação de Órgãos do município, Elen Cristine de Almeida. Segundo ela, a entidade terá que passar por um detalhado processo de análise que prevê, entre outras etapas, uma vistoria da vigilância sanitária. Outro plano da Associação dos Cegos é oferecer mais opções no seu centro de atividades voltado para a melhoria da qualidade de vida dos deficientes visuais. Mas a política de expansão dos serviços esbarra na falta de recursos. A sala de informática, que deveria abrigar computadores com programas especiais para os cegos, está quase vazia. O único equipamento disponível é um velho 486, lançado há pelo menos 10 anos. É nesse computador defasado e com poucos recursos que o deficiente visual José Luís Souza Silva, de 35 anos, vem aperfeiçoando sua digitação. A esperança de José Luís, aluno do segundo período de uma faculdade de história, é que a comunidade possa sensibilizar-se, doando equipamentos mais novos e programas especiais, como o DosVox e o VirtualVision, que possibilitam a inclusão digital dos cegos. "Gostaria de aprender esses softwares. Teria mais independência para fazer os trabalhos da faculdade", disse. O presidente da Associação dos Cegos, Lucas Diniz Chaves, confirma que o espaço está disponível, e que só faltam parceiros para que os cursos sejam efetivados. Além de José Luís, outros 20 internos teriam condições de freqüentar as aulas na sala de informática. No total, a entidade atende, em regime de internato, 33 deficientes visuais. Além desses, 30 cegos passam apenas o dia na instituição, onde recebem lições de mobilidade, locomoção e aulas de educação física, artesanato e braile. Carlos Alberto Pereira, de 30 anos, cego de nascença, não esconde sua empolgação na biblioteca da entidade, que tem mais de 500 obras em braile, uma máquina de escrever própria para esta linguagem, além de "livros falados", gravados em fitas cassetes. O interno, que morava em Bias Fortes, está há apenas dois anos na associação, onde aprende as primeiras lições. "Só de escrever meu nome já é um grande passo", afirma. A entidade também auxilia os deficientes visuais nas rotinas do lar, trabalho, escola e demais ambientes. No setor Atividades da Vida Diária (AVD), as mulheres aprendem a cuidar da casa, cozinha, crianças e roupas. Aos homens são ensinadas ações de como se barbear, dar nó em gravatas, engraxar sapatos e outras atividades simples para quem vê, mas que requerem boa sensibilidade do cego, como escovação dos dentes, banho e comportamento à mesa. Colírio Fundada em 1939, a instituição juiz-forana consolida-se na prevenção da cegueira. Em janeiro deste ano, a associação ganhou o status de centro de referência em oftalmologia, concedido pelo Ministério da Saúde. A credencial permite a distribuição de colírio a pacientes portadores de glaucoma. Cerca de 500 pessoas estão cadastradas na instituição e recebem o medicamento de graça, evitando gastos que chegariam a R$130 por mês. "Muita gente que vem aqui não tem dinheiro nem para pagar o ônibus", revelou Lucas. O centro de referência conta com uma clínica oftalmológica, que faz 3 mil procedimentos por mês, entre consultas, exames e cirurgia. Aproximadamente 80% dos pacientes são provenientes do SUS. O departamento ótico, por meio de caixas coletoras espalhadas pela cidade, recolhe e recondiciona óculos usados, doando-os a quem não pode comprá-los.
O Estado de Minas

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