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09/01/2012

Escolher o produto certo e usá-lo durante a exposição à radiação evita doenças e até cegueira

Campanhas sobre o risco do câncer de pele e a maior informação a respeito do aquecimento global vêm contribuindo para disseminar a importância do uso de protetor solar. Agora, médicos estão numa nova cruzada: convencer a população de que é preciso, também, proteger os olhos da radiação ultravioleta. Isso quer dizer que, tão importante quanto procurar se expor ao sol nos horários recomendados (antes da 10h e após as 15h), é usar óculos com filtro solar. Inclusive os de grau.

"É preciso conscientizar a população de que se deve usar óculos com filtro solar sempre, inclusive no inverno, e especialmente perto do meio-dia", diz o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, de Campinas. "Há dias de inverno que têm quase tanta radiação quanto os de verão, e ela é cumulativa".

Expor os olhos ao sol sem proteção pode causar degeneração macular e aumenta a chance de se ter catarata precoce, porque deixa opaco o cristalino, lente do olho que focaliza as imagens na retina. A radiação também resseca a lágrima e causa fotoceratite, inflamação da camada externa da córnea que provoca vermelhidão e sensação de areia nos olhos.
 
O desconforto desaparece rapidamente, mas, neste processo, muitas células morrem, e, a longo prazo, podem aparecer manchas de senilidade e até câncer nas pálpebras, além do pterígio, uma membrana que cresce sobre a conjuntiva e costuma ser confundida com a catarata.

"Mas o principal é se proteger da luz azul, que incide um pouquinho antes da radiação ultravioleta. Ela facilita o depósito de lipofuscina na região macular da retina, responsável por 85% da nossa visão discriminativa, o que pode levar à degeneração desta área na terceira idade", ressalta Queiroz Neto.

Uma pesquisa coordenada pelo médico com 223 pacientes que tinham mais de 50 anos mostrou que pelo menos metade desconhecia o risco de expor os olhos ao sol. Cerca de 70%, porém, afirmavam usar filtro solar para a pele - embora, tanto quanto acelera a formação de rugas, a radiação solar possa causar ou antecipar problemas nos olhos.
 
Dos que usavam óculos de grau (42%), sete em cada dez não usavam lentes com filtro UV. Entre as mulheres, chama a atenção o fato de que, apesar de terem o hábito de usar óculos escuros como acessório, muitas se esqueçam deles quando vão à praia, por exemplo.
 
Uma outra pesquisa, realizada pelo Ibope a pedido da empresa Transitions Optical e coordenada por Queiroz Neto, ouviu 284 brasileiras com problemas de visão. Destas, 71% tinham miopia, hipermetropia ou astigmatismo, e cerca de 30% disseram deixar de usar o óculos de grau no dia a dia. Duas em cada dez acham que eles atrapalham.
 
No grupo, só 8% usavam óculos escuros com grau para ir à praia, embora 97% soubessem que a radiação pode prejudicar a saúde ocular. O pior é que o sexo feminino tem razões extras para se proteger. Principalmente após a menopausa, quando há menor produção lacrimal, o que eleva a possibilidade de haver opacidade corneana se a mulher não se proteger do sol.
 
O olho seco também aumenta a chance de desenvolver ceratite. Além disso, a catarata, principal causa tratável de cegueira, têm incidência 30% maior entre elas, devido à formação de radicais livres associada ao estresse e das flutuações hormonais.

Perto do mar e na neve, diz o médico, a radiação é maior, porque as pequenas poças de água encontradas nestes ambientes formam uma película reflexiva. E, quanto mais claros os olhos e a pele, menor a tolerância à radiação.

Quem usa lentes de contato ou lentes intraoculares (para catarata) costuma estar protegido, porque a maioria delas é dotada de filtro UV. Os demais devem usar óculos com a proteção anti-UVB.

"As pessoas confundem o fato de a lente ser escura com o grau de proteção contra radiação que oferecem. Mas o filtro é incolor", diz Queiroz Neto. "O importante é garantir que a lente tenha esta filtro UV. As demais características, se são mais escuras ou claras, de policarbonato ou cristal, dependem do gosto, de quanto se está disposto a gastar e da atividade que se faz".

Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, o médico André Cechinel concorda. "Lentes escuras nada mais são do que lentes pintadas. É preciso escolher uma loja e uma marca idôneas, para garantir que esta pintura tenha sido feita de forma adequada, assim como a aplicação do filtro UV. O resto é ver se o modelo está bem ajustado ao rosto e escolher segundo suas preferências estéticas".

Para crianças, e para quem tem horror de óculos sobre o nariz, o conselho dos médicos é usar boné (com a aba para a frente!) ou chapéu. Só não vale deixar de se proteger.

Opticanet

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