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19/06/2012

Colírio é remédio

Automedicação pode causar sérios danos à saúde ocular.

Geralmente, quando alguém reclama estar com algum problema de saúde, não raro recebe recomendações ou indicações de medicamentos que para certas pessoas deram certo. Acontece que esse tipo atitude é extremamente perigosa, porque o que foi aconselhado a uma pessoa pode não ser o indicado para outra. A automedicação é um ato arriscado e pode acabar por gerar consequências ainda piores do que a própria doença. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o quinto maior consumidor de medicamentos do mundo e quando se trata da saúde ocular o cenário não é muito diferente.

Se o assunto é a saúde dos olhos, a recomendação é a mesma: não use colírios sem recomendação médica, pois o que é bom para um pode acarretar problemas para o outro. Isso por que o que muitas pessoas ignoram é que colírio também é remédio. A oftalmologista Raquel Souza Nunes Paiva, responsável pelo Departamento de Cirurgia Plástica Ocular, Oftalmopediatria e Vias Lacrimais do HCO explica que o colírio, se usado indevidamente, pode causar problemas sérios à saúde. “Quando pergunto aos pacientes se eles tomariam algum medicamento sem a consulta de um médico, na maioria das vezes a resposta é negativa. O que geralmente não acontece com o uso dos colírios. Isso por que muitas pessoas não entendem que o colírio também é um remédio e que deve ser usado somente com prescrição médica”. Outro exemplo dado pela oftalmologista sobre os riscos da automedicação, é em relação ao uso do colírio de antibiótico que tem o mesmo risco da automedicação feita com o antibiótico via oral. “Muitas vezes a pessoa acha que tem uma infecção, mas não tem, e faz o uso do colírio de antibiótico. Isso pode gerar uma resistência ao antibiótico em uso, ou seja, no dia em que este antibiótico realmente for necessário, ele não vai funcionar. Talvez a pessoa até tenha uma infecção, mas resolveu usar um antibiótico que não é o correto para aquele tipo de doença. O paciente não vai curar a infecção e pode até atrasar o tratamento, piorando a doença”, explica a oftalmologista.

Existem vários tipos de colírios, cada um indicado para um determinado tipo de problema. “É fundamental que se consulte um oftalmologista para que seja identificado corretamente qual o melhor tratamento. Usar aleatoriamente colírios, seja para clarear os olhos, ou os que contenham corticóide ou antibiótico, pode acarretar danos mais graves à saúde ocular”, finaliza a oftalmologista Raquel Nunes.


Os colírios e seus riscos

Vasoconstritor

Diminui a vermelhidão dos olhos. O uso contínuo pode provocar um efeito rebote do problema, que volta mais forte. O uso indiscriminado também mascara doenças que necessitam de tratamento específico.


Lubrificante

Para pessoas com baixa lubrificação dos olhos e usuários de lente de contato. Estes devem evitar produtos com conservantes, pois estas substâncias podem provocar reações alérgicas e prejudicar a lente de contato.


Antialérgicos

Indicados para casos de conjuntivite alérgica, coceira e irritação leve, podem causar sonolência.


Anti-inflamatórios

Indicados em pós-operatórios e doenças como conjuntivite viral e ceratite (inflamação da córnea). Podem ser hormonais (com corticoides) e não hormonais. O uso incorreto e a longo prazo de colírios com corticoides acarreta riscos de desenvolvimento de catarata, glaucoma e até mesmo perfuração da córnea.


Antibiótico

Usado nos casos de conjuntivite bacteriana, ceratite com infecção da córnea e pós-operatórios. Precisa ser usado pelo tempo recomendado pelo médico, sob o risco de tornar a bactéria resistente ao medicamento.


Anestésico

Usado em ambiente hospitalar ou em consultórios antes de exames oftalmológicos. Alivia dores, mas se o paciente coçar o olho pode provocar sérias lesões no órgão. Seu uso prolongado e indiscriminado pode acarretar infecção e úlcera da córnea.


Fontes: Juliana Bohn Alves, oftalmologista e integrante da diretoria da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO); Ana Tereza Ramos Moreira, chefe do serviço de oftalmologia do Hospital das Clínicas do Paraná (HC) e Leonardo Tostes Poli, oftalmologista do Instituto de Oftalmologia de Curitiba (IOC).
JorNow

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