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20/03/2013

Em mutirão, hospital atende vítimas e familiares de mortos na Boate Kiss

Após o último mutirão do Husm, não haverá mais consultas nos finais de semana, mas interessados seguirão sendo monitorados.

Pelo segundo final de semana consecutivo, o Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) foi cenário de um mutirão de atendimento a pessoas que tenham inalado a fumaça do incêndio da Boate Kiss, na tragédia de 27 de janeiro, mesmo que de forma indireta ou por pouco tempo. Também podiam procurar ajuda no hospital todos aqueles que sofreram consequências psicológicas diante do acontecimento que causou a morte de 241 pessoas. Na manhã do dia 16/03 (sábado), cerca de cem pessoas foram atendidas.

Foram convidados a comparecer ao Husm pessoas que estavam na Kiss na madrugada do incêndio, ou trabalharam no resgate às vítimas, e até quem só passou na frente da casa noturna. Também foram convocados vizinhos da boate. Mais de cem profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros e técnicos em enfermagem estavam preparados para atender quem fosse ao hospital durante o mutirão, que seguiu no domingo.

Um dos que procuraram atendimento no dia foi Rafael Gusmão, estudante de Farmácia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ele estava na Boate Kiss na madrugada da tragédia e só recebeu atendimento médico no mesmo dia, no Hospital de Caridade, para checar sua condição respiratória. Dois dias depois do incêndio, o estudante passou mal. "Foi por causa da ansiedade", explica Gusmão, que só conseguiu sair com vida da casa noturna porque foi retirado por alguém, quando estava sendo pisoteado.

Depois da tragédia, Gusmão foi a uma festa pela primeira vez no segundo final de semana de março. Era um baile de formatura no Avenida Tênis Clube. O estudante disse que viu a noite de diversão com outros olhos dessa vez. "Quando entrei na festa, reparei em tudo: o teto, as extremidades, os extintores, as saídas de emergência...", comentou o estudante, que foi ao mutirão "por precaução".

A estudante de Engenharia Civil da UFSM Ana Paula Soares Müller, 19 anos, foi outra sobrevivente da Kiss que compareceu ao mutirão no sábado pela manhã. Na madrugada da tragédia, ela estava com a irmã, Daiane Soares Müller, 18 anos. As duas não apresentaram problemas graves de saúde, mas seguirão recebendo acompanhamento. "Eu e minha irmã estávamos bem perto do palco no dia do incêndio. Vimos quando o fogo começou e quando o vocalista da banda tentou usar o extintor e não conseguiu", relembra Ana Paula.

A aluna da UFSM foi atendida pela médica Lisandre Kipper Aguiar, que é do setor de medicina interna do Husm e, pelo segundo sábado consecutivo, atuou de forma voluntária. "As pessoas que têm vindo ao Husm têm sido muito receptivas. Elas aderem muito bem ao tratamento", elogia Lisandre, lembrando que a coordenação dos atendimentos é feita no hospital pelo Centro Integrado de Atenção às Vítimas de Acidente (Ciava). O Ciava é resultado de uma parceria entre Husm, UFSM, secretarias da Saúde do Rio Grande do Sul e de Santa Maria, Ministério da Saúde e Ministério da Educação. É por meio dele que os pacientes que necessitarem de atendimento receberão consultas e exames necessários.


Mais de mil procedimentos no primeiro final de semana

De acordo com o coordenador de Média e Alta Complexidade do Ministério da Saúde, José Eduardo Fogolin, que estava em Santa Maria para acompanhar o trabalho, o primeiro mutirão, realizado no final de semana anterior, teve 271 atendimentos, que geraram mais de mil procedimentos, entre consultas, exames e atendimentos psicossociais. Para esse mutirão, foram feitos 161 agendamentos para sábado ou domingo. Fogolin acrescentou que ele será o último, mas que, mesmo assim, os atendimentos continuarão sendo disponibilizados nas cidades de origem dos pacientes.

Todos os pacientes que procurarem o Husm daqui para frente também têm garantia de que serão recebidos. "Amanhã (domingo) não está lotada a agenda. Então, não houve uma demanda maior que necessitasse manter o mutirão. Além do mais, nós vamos manter um ambulatório no hospital em dias de semana. E para os que precisarem continuar o atendimento, ou de novos atendimentos, serão feitos nos ambulatórios que estarão aqui durante a semana", explicou o diretor clínico do Husm, Arnaldo Teixeira Rodrigues.

O atendimento feito no mutirão é multidisciplinar, com profissionais de clínica médica, pneumologia, neurologia, medicina interna, oftalmologia e fisioterapia. O centro também conta com especialistas de psicologia e terapia ocupacional. A exemplo do primeiro mutirão, também foram para Santa Maria, neste fim de semana, funcionários do Hospital Conceição e servidores e alunos do Hospital de Clínicas, ambos de Porto Alegre.

Mesmo com o fim do mutirão, o Ministério da Saúde continuará disponibilizando um link em seu site para que todos os que precisarem de atendimento em função da tragédia da Kiss façam seu cadastro. O acompanhamento também pode ser solicitado pelo telefone 136.


Polícia Civil aproveita mutirão para tomar depoimentos

Durante a realização do mutirão de atendimentos no Husm, uma equipe de policiais civis estava no hospital para tomar depoimentos de pessoas que estiveram na Kiss, no dia da tragédia, e ainda não figuram no inquérito que investiga o caso. Duas salas foram disponibilizadas pela direção do Husm para que os policiais façam seu trabalho.

A intenção da Polícia Civil é fazer com que mais pessoas formalizem em depoimento que estiveram na boate. Com isso, os delegados responsáveis pelo caso querem chegar o mais perto possível do número de frequentadores que estavam na Kiss no dia da tragédia. O objetivo dos investigadores é comprovar que havia superlotação na boate.

Em uma primeira análise à lista de pessoas agendadas para atendimentos no mutirão durante o final de semana, cerca de 50 ainda não tinham aparecido no inquérito. Mas os policiais sabem que nem todos estiveram na Kiss. Na manhã de sábado, três pessoas que confirmaram ter presenciado a tragédia eram aguardadas para dar depoimento no Husm, depois que recebessem o atendimento.


Incêndio na Boate Kiss

Na madrugada do dia 27 de janeiro, um incêndio deixou mais de 240 mortos em Santa Maria (RS). O fogo na Boate Kiss começou por volta das 2h30, quando um integrante da banda que fazia show na festa universitária lançou um artefato pirotécnico, que atingiu a espuma altamente inflamável do teto da boate.

Com apenas uma porta de entrada e saída disponível, os jovens tiveram dificuldade para deixar o local. Muitos foram pisoteados. A maioria dos mortos foi asfixiada pela fumaça tóxica, contendo cianeto, liberada pela queima da espuma.

Os mortos foram velados no Centro Desportivo Municipal, e a prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde prestou solidariedade aos parentes dos mortos.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.

Quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investiga documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergem sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

No dia 25 de fevereiro, foi criada a Associação dos Pais e Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia da Boate Kiss em Santa Maria. A intenção é oferecer amparo psicológico a todas as famílias, lutar por ações de fiscalização e mudança de leis, acompanhar o inquérito policial e não deixar a tragédia cair no esquecimento.
Terra

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