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30/08/2002

Mania do colírio a toda hora não é tão inofensiva quanto parece

Cai aquela gotinha no olho e...que alívio! No inverno, quando a secura toma conta dos olhos e os casos de alergia ocular aumentam, provocados pela inversão térmica que impede a dispersão dos poluentes, o colírio é um santo remédio -principalmente naqueles dias de pouco vento e muito sol. Mas, antes de virar um usuário constante, é bom lembrar que trata-se de um medicamento e que, como tal, exige supervisão médica na maioria dos casos. "Colírios lubrificantes e adstringentes são os únicos que podem ser usados sem medo", diz Marcelo Cunha, doutor em oftalmologia pela Unifesp. Ele explica que os adstringentes, à base de substâncias como ácido bórico, limpam o globo ocular; já os lubrificantes, combatem o ressecamento provocado por poluição, ar refrigerado ou alterações hormonais. Os lubrificantes também são ótimos para usuários de lentes de contato, mas é importante tirar a lente na hora da aplicação, para que o remédio consiga penetrar no olho. Já o soro fisiológico que fica aberto muito tempo na geladeira não é indicado porque, em geral, acaba contaminado. "O ideal são colírios em frascos pequenos e que não duram mais que 30 dias depois de abertos", recomenda o médico. E até o lubrificante e o adstringente, a princípio inofensivos, têm lá os seus perigos: caso o usuário seja sensível ao conservante da fórmula -que previne a contaminação do frasco-, uma crise alérgica pode ser desencadeada, com direito a coceira, vermelhidão e inchaço. Pensando nisso, os grandes laboratórios investem em colírios descartáveis, livres de conservantes e no formato de ampolas. Também para esses casos já existe o colírio manipulado, desenvolvido especialmente para alérgicos. Popular por clarear olhos vermelhos, o colírio descongestionante não é tão inocente quanto parece: vicia e mascara problemas como conjuntivite tóxica ou alérgica e inflamação crônica das pálpebras. "Esse tipo é muito usado por quem dorme pouco, exagera na bebida ou usa entorpecentes", diz Marcelo Cunha. Como é vasoconstritor e "fecha" os vasos dilatados, seu uso contínuo compromete a elasticidade desses vasos; o resultado é que eles ficam cronicamente dilatados e, os olhos, permanentemente vermelhos. Toda a gama restante de drogas oculares tem objetivo medicamentoso e causa problemas sérios, se usada indiscriminadamente. O colírio anestésico, por exemplo, é perigosíssimo: restrito a consultórios e às cirurgias oculares, é capaz de, em excesso, cegar o usuário em poucos dias. Marcelo Cunha, que já transplantou córneas de pessoas que se deixaram levar pelo alívio imediato e fugaz de um anestésico, lembra que a substância tem venda em farmácia proibida por lei. "Mesmo assim, sei de pessoas que usam", afirma. Esteróides e antibióticos, fundamentais no tratamento de muitas doenças e comercializados apenas com receita, também são problemáticos. Sem controle, os do tipo esteróide, antiinflamatórios indicados em pós-operatórios ou infecções como conjuntivite alérgica ou tóxica, podem causar glaucoma e catarata. E os antibióticos, em excesso, reforçam as infecções. Colírios contra o glaucoma também exigem atenção especial: cada caso exige um tipo específico, assim como dosagem e horários seguidos à risca. Portadores de doenças vasculares ou respiratórias devem ter cuidado redobrado, porque os antiglaucomatosos podem causar efeitos colaterais como taquicardia, tontura, boca seca e dificuldade de respiração. Mesmo o cicloplégico, muito usado para permitir a identificação correta do grau de miopia ou astigmatismo, tem efeitos colaterais, no mínimo, desagradáveis. Dantas Coutinho, professor da Faculdade de Medicina de Teresópolis (RJ), explica que, além de deixar a vista turva por um período que pode ultrapassar 24 horas, o cicloplégico é capaz de causar excitação e alterações de comportamento. "Geralmente são manifestações discretas, mas que podem evoluir até para alucinações. Em casos extremos, a excitação é seguida de depressão e parada cardíaca", diz ele, explicando que a molécula do cicloplégico tem estrutura similar à do LSD. Com venda livre proibida pelo Ministério da Saúde, o cicloplégico é usado por aventureiros que querem "curtir um barato". "Eles 'alucinam' e depois ficam sonolentos, por causa da fadiga do sistema nervoso central", conta Dantas Coutinho. Quem não quiser se arriscar a uma "viagem" na hora da consulta médica, pode pedir que o cicloplégico seja substituído por colírios à base de tropicamida, que não oferecem riscos. ERROS COMUNS * Confirme com o médico o nome do remédio e a dosagem prescrita. * Leia a bula para conhecer advertências, efeitos colaterais e uso correto. * Avise ao médico se for alérgico a alguma substância, para que ele não prescreva um colírio quimicamente relacionado a ela. * Informe se houver problemas respiratórios ou coronários, para que o médico evite colírios que piorem o quadro. * Não aumente a frequência do uso do colírio caso surjam inchaço, vermelhidão, coceira e erupção de pele. Esses são sintomas de alergia ao medicamento. Fale com seu médico. * Não guarde o colírio no carro nem no banheiro, para evitar contaminação. E mantenha-o longe de remédios em frascos parecidos. É comum que as pessoas apliquem, nos olhos, remédios para calos ou dor de ouvido. * Só cabe uma gota de colírio no olho. As outras são do farmacêutico. COMO APLICAR 1- Incline a cabeça para trás e abra a pálpebra inferior com o dedo indicador, formando uma espécie de "saco". 2- Pince a pálpebra para fora com o polegar e o indicador. Deixe a gota cair no "saco" sem encostar o frasco no olho ou nos dedos (para evitar contaminação). 3- Feche o olho, não pisque e pressione o ponto onde a pálpebra encontra o nariz. Aguarde dois ou três minutos. 4- O caminho que o colírio percorre no rosto é o mesmo da lágrima. Por isso, antes de abrir os olhos, limpe as lágrimas ou gotas restantes com papel absorvente, para que não escorram e sejam aspiradas pelo nariz, potencializando os efeitos colaterais.
Revista da Folha/Folha de S. Paulo

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