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05/06/2002

Tese avalia prescrição de oftalmologistas

Quando um estudante não vai bem na escola. demonstra apatia e desatenção às aulas. ele pode estar com distúrbios visuais. causa bastante comum de encaminhamento de crianças em idade pré-escolar ao oftalmologista. Pesquisa elaborada pela professora e oftalmologista Rosane Silvestre de Castro. da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. revela que cerca de 25% delas apresentam algum tipo de problema de visão. como miopia. astigmatismo e estrabismo. para citar apenas alguns exemplos. A pesquisa mostra que o mau desempenho visual da criança dificulta o aprendizado e influencia negativamente nas suas atividades normais. explica a professora. As conclusões são parte da tese de doutorado de Rosane intitulada Correção óptica de escolares condições de uso dos óculos após prescrição. defendida recentemente na área de Oftalmologia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. Para chegar a esses resultados. Rosane trabalhou com 225 crianças de 7 e 8 anos e estudantes da 1ª série do Ensino Fundamental de escolas da rede pública de Campinas. O estudo mostra que após consulta oftalmológica. num projeto comunitário de triagem visual intitulado Olho no Olho. por indicação médica. essas crianças passaram a usar óculos. A oftalmologista da Unicamp explica que seis meses depois. os escolares. a maioria de famílias de baixo nível socioeconômico. apresentavam o que os médicos chamam de erros refracionais. Isto é. distúrbios ou perturbações na visão. como astigmatismo. por exemplo. Acontece que os óculos que receberam. por intermédio do Ministério da Saúde. foram prescritos de forma incorreta. Embora a criança usasse óculos normalmente. houve. efetivamente. necessidade de alteração para que se procedesse a correção óptica em alguns casos. A prescrição dos óculos deve seguir critérios baseados na percepção visual sem correção. além dos erros refracionais modificação sofrida pelos raios luminosos onde os graus de astigmatismo não devem ser prescritos. a menos que haja indicação específica por ser acompanhado de sintomas e.ou estrabismo. avalia a professora. O estudo de Rosane mostra que foi preciso que as crianças deixassem de usar óculos quando se verificou o erro de comparação entre a refração e a utilização dos óculos. Segundo a pesquisadora. 98.2% das crianças fizeram uso de óculos. enquanto 17.3% deixaram de usá-los porque os óculos se quebraram. foram perdidos ou porque os usuários não acreditavam que os óculos poderiam ser a solução para que tivessem uma visão melhor. Houve crianças que chegaram a me dizer que se achavam feias usando óculos e que por isso mesmo não iam usá-los mais. lembra Rosane. Em seis meses de uso de óculos. verificou-se que 18% das crianças haviam trocado os seus devido à alteração no grau. e quase 14% não precisavam usá-los mais. porque a prescrição inicial já se configurava algo totalmente obsoleto dentro dos critérios predeterminados. Nos casos de astigmatismo ocorreu desistência ou ausência de uso dos óculos. As principais barreiras para que as crianças deixassem de usá-los foram basicamente no erro refracional e a impossibilidade de reposição de óculos que foram perdidos ou danificados. diz Rosane. Para que a criança com idade entre 7 e 8 anos de idade continue a usufruir uma saúde visual satisfatória. a médica da Unicamp sugere que os parâmetros utilizados para a prescrição de óculos sejam revistos nas campanhas governamentais tanto do governo federal quanto do município para que prescrições desnecessárias sejam evitadas. E mais: que as crianças tenham um programa de acompanhamento enérgico e eficaz de pelo menos dois anos. Rosane sugere ainda que seja desenvolvido um trabalho educativo com as mílias com o propósito de mostrar a necessidade do uso de óculos. quando necessário. e que os exames oftalmológicos das crianças sejam realizados periodicamente. Só dessa maneira é que se pode evitar ou tratar bem de problemas que afetam diretamente a visão. como a rubéola congênita e toxoplasmose. cujo tratamento deve ser feito pelas mães durante todo o período de pré-natal. assinala. Há ainda a questão da catarata congênita. um problema sério que. no Brasil. pode levar à cegueira. mas que ainda causa espanto e indignação quando apresentado em congressos internacionais. porque nos Estados Unidos e em países da Europa isso já não acontece. explica Rosane.
Jornal da Unicamp

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