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30/11/2005

De olho no cansaço visual

Pesquisador alerta para males modernos gerados pelo excesso de exposição à tela de computador Se, ao ler esta matéria, sua vista parecer embaçada, com ardência nos olhos, e você ainda apresentar dores de cabeça, cuidado. Talvez seja a hora de você sair de frente do computador (não sem antes terminar de ler para saber o porquê). Uma pesquisa realizada com 1.200 pacientes comprovou que o excesso de exposição à tela do micro provoca sintomas de um problema batizado de Síndrome da Visão do Usuário de Computador, mais conhecida como CVS (Computer Vision Syndrome). "O grande mal acontece com as crianças, entre sete e 14 anos, que passam até 14 horas diante dos monitores jogando games", afirma Leôncio Queiroz Neto, oftalmologista do Instituto Penido Burnier de Oftalmologia de Campinas, que analisou durante 18 meses 880 adultos e 320 crianças. "Muitos nos procuraram para uma consulta de rotina ou porque precisavam trocar o grau dos óculos. Depois de verificar os principais sintomas, constatamos que 75% deles, ou seja, 900 pessoas, apresentavam cefaléia, visão embaçada, olhos vermelhos ou secos, sendo 30% das crianças com a chamada miopia transitória." Segundo o especialista, a miopia transitória é a dificuldade de enxergar de longe por conta da visão embaçada. Ela pode durar meses ou tornar-se um mal permanente, se os hábitos não forem modificados. "A criança com miopia transitória se sente bem em frente ao computador, mas, como não vê longe, muitas vezes tem queda no rendimento escolar e os pais só percebem meses mais tarde", diz Queiroz Neto. O médico afirma que a CVS é resultado da atenção concentrada por certo tempo sempre na mesma distância focal diante da tela. Além disso, as 16,7 milhões de cores geradas pelo monitor de vídeo sobrecarregam com toda esta variação de luminosidade o esfíncter iriano, musculatura que regula a entrada de luz até a retina. “As imagens em pixels exigem que essa musculatura focalize e desfocalize o cristalino milhares de vezes ao dia, o que naturalmente leva ao cansaço visual”, ressalta Queiroz Neto. "Outro problema é o excesso de luminosidade das lâmpadas e da luz natural, que muitas vezes refletem no monitor e dificultam a visão. Este excesso deve ser evitado, pois as pupilas se contraem e também geram fadiga da visão.” O esquema resume algumas das recomendações dos especialistas em relação à postura ideal diante do computador. (arte: Mário Cesar Filho) Para o oftalmologista, a exposição continuada a essas condições de luminosidade e o posicionamento inadequado diante do computador podem formar em longo prazo uma geração de míopes. "Enquanto a incidência geral apontada pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia é de 12%, no grupo estudado foi de 21%, totalizando 67 crianças míopes", diz Queiroz Neto. Entre os sintomas do CVS está a diminuição da quantidade de lágrima nos olhos, o que provoca uma menor proteção natural. O normal é que, a cada minuto, o indivíduo pisque vinte vezes. Usuários de computador tendem a piscar três a quatro vezes menos por minuto e, com isso, há uma redução de lubrificação. Além do risco de irritação e infecções, o problema pode lesar a córnea, principalmente para aqueles que usam lente de contato ou ficam em ambientes com ar-condicionado. Tanto entre crianças como entre adultos, bastam duas horas ininterruptas de uso do videogame ou computador para que surjam sintomas do CVS. O problema é ainda mais preocupante para profissionais que trabalham com essa ferramenta. "Os jornalistas são os que mais se queixam da doença", afirma o oftalmologista. "O ideal é que, a cada 50 minutos, o profissional descanse a vista durante 10 minutos. É importante trocar de foco para não forçar a visão", completa Queiroz Neto. De um modo geral, as últimas gerações estão propícias a doenças consideradas novas para medicina (como CVS, dores corporais etc.) devido ao progresso tecnológico e ao padrão de vida contemporâneo, entre eles o acesso ao computador, à televisão e o consumo de comidas do tipo fast-food. Para amenizar os malefícios dessa atual realidade, os médicos recomendam a velha – mas adequada – solução de “prevenir antes de remediar”. "Procurar piscar mais vezes e respeitar a distância certa – de 60 cm – entre o monitor do computador e os olhos são algumas medidas preventivas, além de usar telas de proteção", afirma o especialista. "Porém, é indispensável procurar um profissional sempre que aparecerem sintomas como vermelhidão, vista cansada ou dor de cabeça."
Mário Cesar Filho - Ciência Hoje On-line

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