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Terça-feira, 27 Junho 2017

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Menopausa x Catarata: o verdadeiro elo de ligação e o que as mulheres precisam saber sobre o tema

Muito se tem falado sobre a possibilidade de maior incidência de catarata em mulheres que estão atravessando a fase da menopausa. Isso porque, teoricamente, a catarata surge por uma alteração nas células do cristalino, lente natural dos olhos formada por camadas. Uma destas camadas tem receptores do estrogênio e ao receberem o hormônio, as células oculares inibem a produção da proteína que causa a doença. Como a menopausa se caracteriza principalmente pela interrupção da circulação do estrogênio, se não há o hormônio não há o inibidor da proteína, o que pode facilitar o surgimento da doença.

Porém, esta afirmação não é um consenso geral, segundo a Dra. Maira Saad de Ávila Morales, coordenadora científica do Departamento de Oftalmologia da Associação Paulista de Medicina (APM).

“Essa afirmação está baseada em um trabalho do Dr. Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, em Campinas-SP, que acabou tendo bastante repercussão, para pacientes com menopausa precoce, ou seja, antes dos 45 anos; ele estudou 960 pacientes durante oito meses e sugere que este aumento ocorre devido a alteração do epitélio cristalineano”, explica a médica, acrescentando ainda que Queiroz Neto propõe que, para se evitar o desenvolvimento da catarata nestas mulheres, é necessária a reposição hormonal, exercícios físicos, alimentação saudável e uso de anti-oxidantes.

Por outro lado, segundo a Dra. Maira, um artigo científico de Lindblad, que reuniu 4324 pacientes durante 98 meses, demonstra que a reposição hormonal aumentou em 18% o risco de desenvolvimento da catarata.

Segundo a médica é muito importante que as mulheres na menopausa procurem seu oftalmologista por diversos motivos, já que com as mudanças hormonais existe uma alteração do filme lacrimal e é comum a queixa do “olho seco”, nestes casos o médico pode ajudar muito no alívio dos sintomas com a indicação de colírios específicos. Segundo ela, além disso, após os 40 anos existe a presbiopia (perda de acomodação para perto) sendo necessária a prescrição de lentes corretivas. Outro fator importante, segundo ela, é que nesta fase deve ser pesquisado o glaucoma, especialmente em pacientes com histórico familiar, controle de fundo de olho especialmente nas mulheres com hipertensão e diabetes ou com história de degeneração macular na família, entre muitas outras indicações.

“O oftalmologista deve ser consultado anualmente, somente ele é capaz de avaliar a saúde ocular e prevenir uma série de doenças”, conclui.

Para o oftalmologista Leonardo Akaishi, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Catarata, é preciso muita cautela na publicação destas pesquisas e estudos científicos que, segundo ele, podem muitas vezes alarmar ou assustar a população em geral.

“No caso específico deste tema 'menopausa x catarata', creio que o mais importante seja salientar que a reposição hormonal é muito importante nesta fase de vida da mulher, independente se ela não impede o desenvolvimento da catarata, afinal a catarata é uma doença reversível com cirurgia rápida e indolor e não é tão assustadora como alguns ainda imaginam”, ressalta.

Para demonstrar que hoje a cirurgia está bastante avançada e que pode ser realizada de forma tranquila, o médico relata que no dia seguinte à cirurgia a visão do paciente já está melhor, a anestesia é feita com a aplicação de pomadas e colírios, e ainda a incisão é mínima e não tem pontos. O que o Dr. Akaishi quer dizer é que a menopausa pode até ter como um de seus efeitos o desenvolvimento da catarata em algumas mulheres, porém este não é um fato que mereça tamanha preocupação, uma vez que é uma doença que tem solução acessível à população.

“O principal é que as mulheres devem se preocupar em consultar um oftalmologista nesta etapa de vida para que ele possa fazer o acompanhamento desta paciente e, se for o caso, diagnosticar qualquer problema que possa surgir”, finaliza.

Para as mulheres que estão atravessando esta fase, a dica é para que fiquem atentas aos sintomas da catarata. Em seu estágio inicial, ela pode causar uma perda discreta da qualidade visual, alterando a visão das cores, que se apresentam mais desbotadas. Outro sintoma bastante comum é a diminuição da acuidade visual noturna, às vezes com certo ofuscamento na presença de focos intensos de luz, como faróis de automóveis. À medida que a catarata avança, a visão vai ficando progressivamente mais turva e embaçada, prejudicando as atividades mais comuns tais como a leitura, o caminhar ou até assistir televisão.

Inês D. Gianni

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